ENEM 1999 - Cidadania e participação social
Enviada em 26/03/2021
Com o advento da globalização, a geração que cresceu frente a popularização da internet, os millennials, surgiram em um cenário em que o mundo se tornou bem mais interligado. Apesar das vantagens coletivas que essa integração poderia trazer, na contemporaneidade, muito se desaponta, quanto ao engajamento dos jovens em questões sociais e referentes a cidadania, seja pelo comodismo vivenciado por muitos, seja pela alienação advinda da sociedade moderna. Sendo assim, encontrar caminhos para combater tal conjuntura, é um desafio que precisa ser enfrentado pela sociedade e pelo Estado.
A princípio, vale destacar que de acordo com os pensamentos do sociólogo polonês Zygmunt Balman, a era em que vivemos, da modernidade líquida, é marcada pelo egoísmo e pela fluidez nas relações humanas. Nestas circunstâncias individualistas, o comodismo de muitos jovens, persiste como um obstáculo para que muitas questões sociais possam ser solucionadas. Isso ocorre, pois, a “geração Y” vem de um contexto em que a apatia tomou conta da sociedade, de modo que poucos se preocupam com as mazelas que afligem o outro, e muitos não aprenderam a pensar coletivamente.
Paralelo a isso, é imprescindível salientar que a alienação advinda da sociedade moderna perdura como um desafio para que a juventude brasileira se torne dinâmica e participativa. Isso se dá já que, o povo brasileiro tem um histórico de impedimentos no ato de exercer a cidadania, desde as práticas ‘getulianas" no Estado Novo até o Golpe de 1964. Dessa forma, muitos jovens não foram ensinados a serem “reais cidadãos”, logo desconhecem e não conseguem visualizar o papel fundamental deles como ferramentas de mudança e intervenção social. Além disso, a ideia torpe de que a cidadania acompanha a maioridade, corrobora para que muitos não se sintam prontos para participarem da luta por melhorias, e de exercerem o papel de seres políticos, desde novos.
Em virtude dos fatos mencionados torna-se evidente a necessidade de se buscar soluções para sanar tais impasses. Portanto, cabe às escolas promoverem debates referentes a política e a cidadania, por meio da realização de dinâmicas escolares e atividades em equipe, de modo que instigue os alunos, desde jovens, a quererem fazer parte do movimento e a serem protagonistas das mudanças. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as principais redes sociais divulgarem propagandas que demonstrem o papel fundamental do jovem no contexto atual, para que a internet possa ser utilizada como ferramenta de engajamento e integração que contribua para a participação consciente dos cidadãos.