ENEM 1999 - Cidadania e participação social

Enviada em 09/01/2021

De acordo com Aristóteles, um dos pais do conhecimento ocidental, o homem é um animal político por natureza. No entanto, lamentavelmente, na sociedade hodierna, é possível observar que muitos indivíduos contrariam este aspecto da natureza humana, agindo de forma indiferente perante a conflitos e questões que não lhe afetam de forma direta. Neste cenário, destacam-se a inefetividade do sistema educacional brasileiro em ensinar os jovens a se posicionar e fazer uso de sua cidadania, bem como a consequente mentalidade individualista que penetra a sociedade contemporânea de forma patológica.

Nessa perspectiva, sabe-se que o currículo escolar brasileiro é muito conteudista, sendo estes conteúdos compostos por fatos, mas não existem matérias voltadas a ensinar o aluno a ser um cidadão, se posicionar para promover seus ideais e ser solidário. Nesse viés, torna-se pertinente a análise de uma afirmação do filósofo alemão Immanuel Kant, que diz que o homem é aquilo que a educação faz dele. Assim, pode-se inferir que, ao não receber a devida orientação e os incentivos para exercer seus direitos, bem como sua cidadania, em sua plenitude, é improvável que, em sua posição como o futuro da sociedade, os jovens se imponham para defender aqueles que estão em posição desfavorecida, além de promover a solidariedade na sociedade.

Outrossim, a ignorância e descaso acerca do altruísmo fazem com que muitos cresçam com pensamentos egoístas, com uma forte indiferença para com os direitos do próximo, se preocupando apenas com sua vida e seus problemas, cego por seus privilégios. Diante disso, pode-se fazer uso das palavras de Karl Marx: “priorizar o bem pessoal em detrimento do coletivo gera inúmeras dificuldades para a sociedade”. Logo, fica claro que o comportamento individualista adotado por muitos membros da sociedade contemporânea é extremamente corrosivo para o corpo social, dificultando o advento de mudanças no campo social e aprofundando a miséria de muitos indivíduos. Em virtude disso, muitos cidadãos em situações desfavoráveis, onde a ajuda da comunidade é necessária, têm seus direitos e sua qualidade de vida ainda mais prejudicados.

Diante das questões apresentadas, é possível a compreensão de que a participação social está em baixa na sociedade hodierna, com a persistência do egoísmo, e é imperioso que tal situação seja combatida. Para tal, é necessário que o Ministério da Educação inclua no currículo escolar formas de promover e ensinar a cidadania, bem como a solidariedade, para os jovens brasileiros, por meio de reuniões em ambientes pedagógicos, como aulas e palestras. Desse modo, tal ação tem como objetivo incitar a proatividade na juventude, para que esta se posicione para proteger os mais fracos e seus direitos.