Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 03/10/2019

De acordo com o filósofo Mário Sérgio Cortella, a escola não cria a violência sozinha, ela é apenas reproduzida nesse ambiente. Nessa visão, é perceptível que o bulliyng é considerado como uma hostilidade física e moral, na qual a falta de respeito inviabiliza a harmonia entre os estudantes. Nesse aspecto, é válido analisar as principais consequências dessa prática para as vítimas no que diz respeito ao desenvolvimento de transtornos psicológicos.

Primeiramente, os indivíduos que sofrem com os atos de intimidação desenvolvem progressivamente a ansiedade. Nesse viés, esse problema considerado como mal do século no livro do sociólogo Augusto Cury, no qual ele defende que as pressões sociais, advinda de uma cultura imediatista e cheia de padrões, colaboram para a perpetuação de ofensas e ideias de inferioridade entre os indivíduos. Nesse contexto, muitas crianças sofrem violência verbal e física por seu biótipo diferenciado, seja pela cor da pele ou por defeitos físicos se tornando, assim, adolescentes deprimidos e ansiosos. Dessa forma, muitos têm sua vida social impactada, principalmente, nas interações interpessoais e na dificuldade de aprendizado que provoca uma elevada evasão escolar.

Além disso, o surgimento da depressão, por exemplo, é outro efeito negativo dessa problemática. Isso ocorre porque a escola se tornou um ambiente de hostilidade e disseminação de preconceitos ao invés de cumprir a sua função como um espaço de aprendizagem e formação intelectual dos indivíduos. Tal fato se reflete na teoria da “Modernidade Líquida” do sociólogo Zygmunt Bauman, na qual ele defende que os conflitos sociais surgem a partir da instabilidade das relações sociais resultante de uma sociedade individualista e pouco empática. Desse modo, muitas crianças e adolescentes convivem diariamente com os atos de bullying corroborando, assim, para casos de suicídio.

Fica claro, portanto, a necessidade de reverter esse quadro mediante políticas públicas preventivas e educativas. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, incluir nas suas grades curriculares aulas dinâmicas e interativas com os alunos, objetivando uma reflexão entre eles sobre os malefícios do bullying e a importância de respeitar o próximo, a fim de que sejam fortalecidas as relações de amizade. Ademais, é essencial que as ONGs educativas, com o auxílio de psicólogos, realizem ações sociais nas comunidades, por meio de palestras, com o intuito de incentivar um maior diálogo familiar para que os pais saibam identificar os distúrbios ansiosos e depressivos nos filhos e procure ajuda médica. E, com essas medidas, podem-se combater as consequências dessa violência através do fortalecimento da saúde mental das vítimas.