Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 23/04/2018

Compreendido como uma prática reiterada de agressões físicas e/ou verbais, feitas por um ou por mais indivíduos, com objetivo de ridicularizar e de intimidar outro, que não apresenta ideias ou características visíveis comuns, o “bullying” é um tipo de violência, presente em diversas sociedades do globo, que obteve um expressivo crescimento quantitativo, nos anos remanescentes. Esse modo de coação, no Brasil, é notoriamente mais habitual nos meios escolares, nos quais as divisões dos discentes por padrões, de acordo com critérios por eles elaborados, costumam acontecer. Dessa maneira, por ocasionar efeitos negativos na evolução social, já que é uma forma de agressão que fere a dignidade das vítimas, a omissão dos órgãos competentes se torna inconstitucional frente ao problema.

De acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os casos de “bullying” nas instituições escolares aumentaram cerca de 10% entre os anos de 2012 e 2015.  Esse aumento, deve-se ao desenvolvimento da internet,que propiciou o surgimento de várias redes sociais, que além de cumprirem com o papel de entreter e sociabilizar os internautas, tornaram-se intensificadoras do processo de “bullying”, haja visto que a ação pôde ser realizada à distância e por intermédio do anonimato. Além disso, a naturalidade com que os seres tratam esse modelo de injúria, acreditando ser apenas uma brincadeira da idade, principalmente quando a agressão, segundo Pierre Bordieu, é simbólica, ou seja, aquela que viola apenas o psicológico do indivíduo, contribui para a elevação das taxas desse modelo de violência.

As consequências advindas dessa coação são preocupantes e ocasiona malefícios à sociedade brasileira. Dentre elas destacam-se os traumas psicofísicos, que colaboram para o desenvolvimento dos casos de depressão, para a queda do desempenho acadêmico e para o aumento dos índices de evasão escolar. Assim, além de acarretarem, majoritariamente, em suicídios, esses impactos favorecerão, a médio prazo, o surgimento de um mercado de trabalho escasso de mão de obra qualificada, já que muitas  vítimas abandonam a escola, devido ao medo e à insegurança que sentem dos agressores, que, em sua grande maioria, ficam impunes e que, geralmente, são mártires do meio violento que vivem, reproduzindo, apenas, a forma (hostil) de expressarem suas opiniões aprendida.

Em vista disso, cabe ao Governo Federal cumprir com as suas responsabilidades, enunciadas no Estatuto da Criança e do Adolescente, de protegê-los de quaisquer forma de violência, promovendo cursos de capacitação aos docentes, para que percebam a mudança de comportamento dos alunos, desencadeada pelo “bullying”. Além disso, compete, também, aos órgão competentes veicularem nas mídias sociais a gravidade da prática do “bullying”, deixando, assim, a sociedade a par do problema.