Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 02/11/2022
Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à qualidade de vida e ao bem-estar social. Entretanto, o agravamento do efeito bolha causado pelas redes sociais impossibilita o desfrute desse direito e tem como causas os aspectos culturais e a displicência estatal.
Em primeiro lugar, é importante destacar que tal conjuntura está atrelada aos aspectos culturais. Nesse sentido, segundo o sociólogo Herbert José, o país não muda pela economia ou pela política, mas sim pela cultura. Sendo assim, nota-se que os hábitos culturais têm papel relevante na formação dos costumes em uma sociedade, visto que se a população não possuir uma cultura que valorize a luta para diminuir o efeito bolha causado pelo isolamento das pessoas às diferentes realidades fora do meio digital, a fim de mudar a percepção sobre o mundo e as diversas pessoas que nele habitam, os indivíduos desse meio não serão capazes de notar a importância de uma comunidade democrática. Nessa perspectiva, é fundamental que a população lute em prol do bem-estar social.
Ademais, é necessário salientar a displicência estatal como outro desafio a ser combatido. Sob esse viés, para o filósofo Aristóteles, a política deveria ser utilizada como um meio para alcançar o equilíbrio pelo uso da justiça. No entanto, ao observar a problemática retratada, infere-se a não validação do pensamento aristotélico, uma vez que para validar a percepção das diferentes realidades fora do âmbito digital, é preciso efetivar leis para a divulgação de campanhas sobre as consequências do problema em questão, como a falsa sensação de que a vida das pessoas nas redes sociais é sempre melhor, o que acarreta o sentimento de comparação. Desse modo, a efetivação das leis é diretamente proporcional ao desenvolvimento social.
Portanto, para mudar a condição do efeito bolha, é preciso que o Ministério da Cidadania crie campanhas publicitárias sobre as consequências da problemática, por meio das redes sociais - que são os principais veículos formadores de opinião- com a finalidade de garantir o direito universal assegurado pela ONU.