Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 29/09/2022

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu crí-ticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação.Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes que perpetuam ao longo da his-tória, no que tange à questão do efeito bolha nas redes sociais.Além disso, é preci-so ressaltar, ainda, que a população carece de informações sobre tal assunto, o que gera um estranhamento em torno do tema.

A princípio, vale destacar a falta de debate como um complexo dificultador. As mídias sociais são uma potência quando se fala em compartilhamento em massa, entregando conteúdo em qualquer lugar do mundo. Entretanto, existem divergên-cias entre o público quando se fala em expor opniões. Por medo, algumas pessoas se retraem por conta das represárias, “cancelamentos” e até ataques violentos.O fi-lósofo Foucalt defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silencia-dos para que estruturas de poder sejam mantidas.

Outro ponto relevante nessa temática é a insuficiência na regulamentação.O ar-tigo 6º da Constituição Federal de 1988 garante direito pleno a todo cidadão, como à segurança, informação, educação, dentre outros.Embora o Brasil possua um sóli-do aparato legislativo, ele mantém-se restrito no plano teórico. Dessa maneira, acentua-se ainda mais a insegurança de se impor, de parecer “burro” aos olhos do povo, fazendo-o se afastar da ampla gama de informações e aprendizados que ga-nhará ao discutir com alguém e escolher o que é correto e ideal para ele com base na sua realidade.

Torna-se imperativo, portanto, modificar a visão dos habitantes acerca das leis. Isso pode acontecer por uma ação conjunta do Poder Judiciário com o Ministério da Educação e Cidadania promovendo palestras e debates abertos ao público em escolas, multirões em praças com psicólogos e promotores de justiça ou advoga-dos, acerca do processo de elaboração, fiscalização das normas no Brasil e da im-portância do respeito ao próximo, a fim de que as novas gerações se tornem mais atuantes e entendam o propósito das diretrizes à resolução de problemas como o egoísmo e superficialismo relatado por Machado de Assis.