Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 01/10/2022
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica consiste em valorizar às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. De maneira análoga, o agravamento do efeito bolha pelas redes sociais é ignorado e até mesmo desconhecido por grande parcela da sociedade. Dessa forma, faz-se necessário, valorizar essa problemática, analisando, o consumo de informações por meio de plataformas mediadoras e como está questão representa uma ameaça a democracia.
Constata-se, a princípio, que muitas pessoas tem acesso a informação por meio de plataformas que atuam como mediadoras de conteúdo, como por exemplo, o facebook, não visitando os sites das agências de notícias. Entretanto,majoritariamente, essas empresas selecionam para os usuários apenas conteúdos relevantes para os próprios, que estão de acordo com o modo de pensar de cada usuário.Assim, é possível relacionar esse cenário ao termo proposto pelo sociólogo alemão Geoge Simmel, a “Atitude Blasé”, que ocorre quando o indíviduo passa a agir com indiferença às situações que ele deveria dar atenção.Visto que, a indiferença nesta situação, acaba por limitar as pessoas a uma “bolha"de conteúdo, dificultando o contato com pontos de vista distintos.
Como consequência desse baixo acesso à diversidade de informações, surge um efeito antidemocrático que deve ser discutido. Dessa forma, a Constituição Federal de 1988 está relacionada com a proteção do direito à informação.Entretanto, essa jurisdição não está sendo refletida na realidade social brasileira. Esse cenário pode ser exemplificado pelo pensamento escritor português Gilberto Dimenstein, que, em sua obra, o” Cidadão de Papel", destaca que as leis estão apenas na teoria, não sendo colocadas em prática.
Portanto, medidas devem ser tomadas para que a população brasileira tenha acesso a informações de forma despolarizada. Dessa forma, o Ministério Público, orgão mantenedor dos direitos do cidadão, deve buscar conscientizar as pessoas sobre a importancia de consumir conteúdo diretamente dos sites de agências de notícias renomados. Por meio de palestras públicas e publicações em grandes sites do governo, para que assim o efeito bolha seja combatido.