Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 14/09/2022

Na tela “Guernica” de Pablo Picasso, o pintor se utiliza do cubismo, fragmenta a realidade e remonta com base na sua perspectiva sobre o conflito da época. Assim como o cubista, as redes sociais, hoje em dia, apresentam para o indivíduo apenas a visão que lhe agrada, não tendo contato com outras ideias, o que gera um efeito bolha agravando os problemas sociais. A partir desse contexto, faz-se válido entender qual o problema agravado pelas redes sociais, bem como a consequência para a vida em sociedade.

Nesse sentido é imprescindível pontuar que o efeito bolha gerado pelas redes sociais agrava a propagação de notícias falsas. Isso acontece porque as redes de socialização são programadas para mostrar uma notícia que mais agrada o indivíduo, portanto, não se preocupa com a veracidade da informação. Dessa forma, a notícia “conforta” o indivíduo, pois está dentro da sua bolha de verdades, e mesmo sendo Fake News ele tende a acreditar na informação e não pesquisar em outras plataformas. Dados do IPSO (Instituto Mundial de Pesquisa) revelam que aproximadamente 60% dos brasileiro afirmam ter acreditado em falsas notícias, o qual mostra que a desinformação da população é consequência gerada pela zona de conforto das redes sociais.

Em segunda analise, faz-se relevante pontuar que os indivíduos tornaram-se intolerantes com as diferenças. É evidente que as mídias sociais deveriam facilitar a troca de ideias entre os internautas, assim como acontece na pintura de Rafael Sanzio Escola de Atenas, a qual duas pessoas, Platão e Aristóteles, mesmo tendo ideias contrarias debatem harmonicamente. Entretanto, não é o que acontece na realidade, o efeito bolha agrava a intolerância já existente, isso porque, tornou-se mais fácil excluir alguém, caso não corresponda as suas expectativas, do que conviver com as diferenças do outro, o que só agrava os problemas sociais. Em se tratando de ano de eleição no Brasil, essa não troca de ideias entre indivíduos com opiniões opostas levam a polarização e discursos de ódio, o qual pode acabar em desrespeito e até atentado contra a vida.