Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?
Enviada em 05/08/2020
Jean Piaget, psicólogo suíço, defende que o saber não ocorre de modo espontâneo nem mecânico, mas como resultado de interações do sujeito que questiona o que lhe cerca. Tal pensamento está interligado ao fato de que a educação, principalmente a na primeira infância, promove o desenvolvimento social e intelectual da criança, por causa do seu convívio com professores capacitados e, também, a metodologia de ensino utilizada. Entretanto, o contexto social brasileiro, infelizmente, tem se despreocupado quanto à universalização da educação das crianças nas creches e pré-escolas, seja pela infraestrutura precária ou, até mesmo, pela falta de qualificação profissional dos professores.
Em primeira análise, a ausência de uma estrutura adequada que possa desenvolver atividades pedagógicas tem-se mostrado como empecilho na universalização da educação infantil. Isso porque os investimentos nas estruturas de creches e pré-escolas terem sido pouco no decorre dos anos. Nesse contexto, o Plano Nacional de Educação (PNE), defende que o país deveria investir mais na educação, em um valor entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por aluno na pré-escola. No entanto, o Brasil tem negligenciado quanto a esse fator, investimento pouco mais de R$ 3 mil a cada aluno, dificultando, assim, o desenvolvimento da educação infantil. Nesse sentido, as regiões vulneráveis, como favelas e o ambiente rural, são as mais afetadas em relação à infraestrutura, de modo que seja difícil o acesso de crianças ao ambiente escolar e, muitas vezes, nem possível esse acesso, o que provoca à evasão escolar.
Outrossim, a necessidade de qualificação profissional dos docentes é essencial para o progresso da educação infantil. Isso vem pelo fato de que com uma melhor qualificação o professor tenha a capacidade de articular vários ramos do conhecimento, como forma de abranger melhor às áreas de conhecimento e para o entendimento da criança. Porém, no Brasil, muitos fatores fazem com que isso muitas vezes não seja perceptível, tais como uma má remuneração, a falta de incentivo, a visão errônea de que o profissional que trabalha nas creches e pré-escolas são simplesmente “cuidadores” de seus filhos e não profissionais.
Portanto, as secretárias municipais devem investir na infraestrutura desses locais de ensino, por meio da utilização de verbas governamentais na construção e reformas de creches e pré-escolas, utilizando materiais e equipamentos que sejam necessários para o desenvolvimento da educação infantil, para que, assim, haja uma menor desigualdade social. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação (MEC), promova à disponibilização e o incentivo à qualificação profissional de professores da área infantil, por meio do fornecimento de cursos, seja à distância ou presencial, a fim de fornecer uma maior capacitação aos professores e, assim, um maior desenvolvimento social e intelectual das crianças.