Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?
Enviada em 01/12/2023
O sociólogo Zygmunt Bauman aponta como características da “modernidade líqui_ da”, iniciada ao final do século XX, o consumismo e a fragilidade das relações huma nas. Todavia, o surgimento, na contemporaneidade, de diversas iniciativas voltadas a buscar formas menos impactantes de consumo, por meio da conexão entre pes_ soas, indica importante mudança comportamental. Torna-se necessário, portanto, debater a tendência de crescimento das economias colaborativas no Brasil do século XXI.
Primeiramente, cabe mencionar que a crise financeira impulsiona a criação de so luções econômicas inovadoras, como empréstimos, trocas e compartilhamento de bens. Essas iniciativas, facilitadas por plataformas online como o Facebook, não apenas reduzem gastos, mas também fortalecem os laços sociais, exigindo intera_ ção e dependência mútua. Um exemplo é a “Roupateca” em São Paulo, que oferece acesso a um guarda-roupas compartilhado por meio de assinatura mensal, demons trando que é possível ter mais com menos, sem se afastar do sistema capitalista.
Ademais, plataformas de “crowdfunding”, como o “Catarse”, desafiam a lógica da Indústria Cultural ao transferirem opções de consumo da elite para a sociedade. Contrapondo a padronização das ideias vinculadas ao sistema capitalista, esses sites integram-se aos hábitos de consumo coletivo. Ao permitir a divulgação e arre_ cadação de investimentos de toda a sociedade, proporcionam maior liberdade cria_ tiva para artistas e pesquisadores, escapando dos interesses das mídias de massa. Isso resulta em benefícios para a população, que usufrui de produções culturais e intelectuais independentes.
Por fim, seja como estratégia econômica ou como escape da doutrinação cultural, as economias colaborativas se inserem cada dia mais no cotidiano do brasileiro. Para ampliar ainda mais iniciativas, o Governo Federal, aliado ao SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas -, deve promover concursos de inovação e financiar novos projetos de economia colaborativa, para amenizar e reverter o cenário de crise. Só assim, será possível substituir a cultura da liquidez pela da sustentabilidade.