Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?
Enviada em 25/07/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que o desinteresse pela economia colaborativa no Brasil representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, com ênfase na ausência de políticas públicas de incentivo às empresas que têm como base o “on-demand”, e na baixa adesão dos indivíduos a essa metodologia de consumo.
Seguindo esse contexto, deve-se ressaltar a inexistência de políticas públicas de incentivo ao mercado de produtos compartilhados. Nesse sentido, o Estado, ao não incentivar projetos de aluguel de bens e serviços, impossibilita, no século XXI, grandes avanços no âmbito social, uma vez que o on-demand tende a gerar custos menores aos consumidores, diminuindo desigualdades; na sustentabilidade, pois abordaria uma sociedade mais altruísta; e no setor econômico, reduzindo a necessidade de expansão dos estoques. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo francês Émile Durkheim, configura-se como um fato social prejudicial, pois impacta, de maneira nociva, o pleno desenvolvimento da sociedade contemporânea, dificultando a gestão do Estado, frente ao crescimento populacional. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é fundamental apontar o desconhecimento das pessoas a respeito do consumo colaborativo. A exemplo disso, segundo um infográfico publicado pela Folha, apenas 1 a cada 5 brasileiros já ouviu falar de consumo compartilhado. Dessa forma, fica evidente que não é generalizado o conhecimento acerca dos benefícios da economiza colaborativa, já que a cultura de consumo, embasada no materialismo e na posse, está enraizada na sociedade brasileira. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é fundamental que o Governo Federal, por meio da redução de impostos, incentive o crescimento de empresas baseadas na economia compartilhada. Isso deve deve permitir, a longo prazo, a desconstrução da cultura materialista existente, bem como uma maior adesão de empresas e de pessoas a esse estilo de produção e consumo, reduzindo problemáticas decorrentes da má gestão estatal, como a desigualdade social e o desperdício. Assim, será consolidada uma sociedade autossustentável, aproximando-se dos planos de More.