Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?

Enviada em 30/01/2021

No filme “O Homem que Mudou o Jogo”, é retratado um método inovador e tecnológico de recrutar e avaliar o perfil de jogadores de beisebol para a equipe do “Oakland Athletics”, os protagonistas Billy Beane e Peter Brand apostam os últimos recursos em atletas, como os olheiros rotulavam, “falhos”. Nesse sentido, a narrativa revela que o investimento em novas ideias é essencial e interruptivo para a estruturação do grupo. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada na trama pode ser relacionada à economia colaborativa no século XXI: a reinvenção do consumismo e a falta de fiscalização de algoritmos e dados nas redes.

Em primeiro lugar, faz-se necessário lembrar que a evolução da economia e a aquisição consciente das comodidades partilhadas é indispensável para o desenvolvimento da sociedade, uma vez que pode potencializar o altruísmo e diminuir o desemprego. Entretanto, de acordo com o sociólogo brasileiro Betinho, o país não muda pela a política, administração financeira ou ciência, mas sim, pela a cultura. Assim, os valores sociais ideológicos de posse permanente no objeto e o resgate da confiança de um povo para a incrementação de vida mais eficiente e sustentável trazem a discussão o processo moroso de moldagem da modernização, provando a ausência de indícios da concretização do modelo colaborativo ser um costume brasileiro.

Consequentemente, os algoritmos e a superexposição de dados do usuário e empregador é um fator que limita e impacta nas decisões e comportamentos das pessoas, afastando, ainda mais, a sociedade da sustentabilidade financeira. Segundo Zygmunt Bauman, por exemplo, o qual afirma que vivemos em “tempos líquidos”, isto é, tudo muda rapidamente, tornando-se descartável. Paralelamente, o pensamento do sociólogo é elegível a instabilidade cibernética atual no Brasil, àquela que sofre violenta manipulação, como aborda a matéria publicada em 2018 no site Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Logo, é indiscutível que jovens empreendedores e usuários que desejam usufruir dos serviços colaborativos tenham a visibilidade ampliada da situação.

À vista disso, é preciso que medidas sejam assumidas para amenizar os impactos no cenário contemporâneo. Para a economia colaborativa tornar-se uma tendência benéfica, urge que o Estado e o Ministério da Fazenda realizem a implementação, por meio de aplicações estatais, de um programa com incentivos fiscais para promover o crescimento desse modelo de empreendedorismo. Além disso, cabe ao Governo Federal efetivar soluções legais para conscientizar a proteção de dados de pessoas jurídicas e físicas. Dessa maneira, a reconstrução da economia terá uma execução eficiente no país, como o “Oakland Athletics” conseguiu destaque na Liga Americana com uma estratégia ousada.