É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 10/10/2020

“Amélia não tinha  a menor vaidade. Amélia que era mulher de verdade!”. Esse verso da música de Ataulfo Alves, serve de base para muitos que cultuam a cultura do estupro. Uma vez que a vaidade, vestimenta da mulher e até ingestão de substâncias influenciam no julgamento de um “merecimento”  ao estupro. Paralelo aos conjuntos de fatores citados anteriormente, ainda há a questão de o crime, em grande maioria, ser praticado por aqueles que são próximos. Diante dessas e de inúmeras outras situações torna-se imprescindível o combate a essa abominável prática da cultura do estupro.

Tal “merecimento” é, inclusive citado pelo atual presidente da República, Jair Bolsonaro, quando diz a uma parceira de carreira que ela não merece ser estuprada, corroborando com tal cultura. Roupa, quantidade de relacionamentos, vaidade ou beleza não devem, em hipótese alguma, servir como justificativa à realização do abuso. Certamente há inversões de valores a partir do momento em que a vítima torna-se culpada. Não atoa  que, registrados, há, pelo menos, 50 mil casos de estupros por ano, segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Com certeza esse número de pessoas não estavam pedindo por isso, como conservadores alegam.

Desses 10% de atos registrados e dos 90% não registrados estão inclusos os assédios sofridos por crianças, que chegam a ser 51% dos casos, segunda a revista Super Interessante. Esses crimes muitas vezes  são cometidos por parentes ou por amigos mais próximos, o que acaba justificando a não credibilidade na  vítima por parte daqueles que recebem as queixas.

Diante  dessa cultura o poder executivo e legislativo deveriam trabalhar melhor em relação a punição dos estupradores e também na forma de anteparo às vítimas. Em conjunto a isso o Ministério  da Educação deve intensificar a importância de haver a educação sexual nas escolas para que as crianças saibam identificar o abuso e relatar para pessoas de confiança.