É imprescindível garantir a igualdade de gênero no século XXI

Enviada em 20/10/2019

Promulgada em 1948, pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Declaração Universal do Direitos Humanos tem o Brasil como signatário. Contudo, a constatação de que a desigualdade de gênero ainda perdura com força no país, afronta os compromissos firmados em 1948. Tal problema se manifesta na diferença salarial entre os gêneros e no tratamento desigual que permeia os aspectos da vida social, remontando herança histórica patriarcal.

Mormente, é notória a diferença salarial entre os gêneros, e esta situação é fruto, apenas, de preconceito, já que não encontra sustentação em critérios objetivos. Nesse sentido, estudo apresentado em 2016 pelo Fórum Econômico Mundial (FEM), sediado na Suíça, aponta que o Brasil é um dos países com maior disparidade de salários entre homens e mulheres. Além disso, este estudo aponta, que países reiteradamente acusados por violações dos direitos das mulheres, apresentam menos diferenças remuneratórias. Tal disfunção social não tem amparo racional, tendo em vista que, independente de gênero, hoje, todos possuem o mesmo acesso à formação educacional. Portanto, essa anomalia deve ser enfrentada na busca de uma sociedade mais justa.

Outrossim, cabe análise da cultura patriarcal, que acompanha a sociedade ocidental e interfere na construção dos papéis sociais. Dito isso, constata-se uma condição de opressão histórica que permeia os papéis femininos, além de atingir, também, àqueles indivíduos que transcendem a dicotomia dos gêneros homem e mulher. Entretanto, percebe-se um movimento lento e gradual de superação das desigualdades tomando forma. Isto posto, celebra-se a capacidade das escolas de catalisar esse processo de superação dessas injustiças. Dessa forma, posiciona-se Kant, filósofo alemão, que afirma que o homem é resultado da educação que este recebeu. Enfim, para alcançar uma verdadeira ressignificação social, superando as tradicionais relações de opressão, alcançando a isonomia de gênero, a escola é instituição de vital importância.

Destarte, medidas são imperiosas para a superação da desigualdade de gênero no país. Assim, urge a necessidade de o Poder Legislativo apresentar projeto de lei, construído por meio de audiências públicas que tenham a participação de organizações de defesa da igualdade de gênero, Tal lei preverá punição ao preconceito sexual no mercado de trabalho. Ademais, as escolas, por intermédio do Ministério da Educação, deverão criar a semana do combate à desigualdade de gênero, com realização de palestras e oficinas artísticas, contando com a participação de sociólogos nas atividades. Dessa forma, a escola apresentará um contraponto à cultura patriarcal. Assim sendo, o problema será resolvido e o compromisso com a equidade, firmado perante o mundo em 1948, honrado.