É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 02/12/2020
A novela “Salve Jorge”, retratou a história de uma mulher que recebeu uma falsa proposta de emprego e acabou sendo vendida para uma rede de exploração sexual. Infelizmente, esse contexto não se restringe a ficção, visto que conquanto tenham ocorrido avanços no combate ao tráfico de pessoas ainda existe um longo caminho a ser percorrido. Diante disso, é necessário avaliar a ignorância da população e a negligência do governo como entraves dessa luta em busca da dignidade humana.
Em primeira análise, observa-se que uma parcela da população desconhece o contrabando de cidadãos, favorecendo sua ocorrência. Conforme o sociólogo George Simmel, a atitude blasé é um mecanismo de indiferença relacionado as questões sociais, resultante dos constantes estímulos da cidade. Esse pensamento é notado na escassez de debates sobre a mercantilização humana, uma vez que muitas pessoas não acreditam que isso ocorre ou culpam a vítima por estar nessa situação degradante. Tal atitude dificulta a prevenção e a denúncia desses casos, aumentando a vulnerabilidade dos indivíduos. Desse modo, é preciso informar para minimizar essa banalização.
Ademais, outro aspecto a ser considerado é a ineficiência das ações governamentais no embate a comercialização de pessoas. De acordo com a teoria do contrato social, do filósofo Jean-Jacques Rousseau, o Estado deve agir de modo a garantir o bem-estar coletivo. No entanto, esse dever não é plenamente cumprido, visto que apesar da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas ter ampliado a prevenção, a repressão e o amparo às vítimas, a fiscalização das fronteiras, por exemplo, é precária. Além disso, as campanhas realizadas ocorrem apenas em determinada época do ano, tornando acesso à informação precário, tendo como resultado uma comunidade alheia a essas questões. Dessa forma, tornar as medidas do governo mais efetivas.
Evidencia-se, portanto, que o descaso da população e a incompetência estatal são desafios da luta contra ao comércio de seres humanos. Por isso, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, instituição responsável por promover os direitos à cidadania, recrudescer as medidas de combate a tal crime, por meio da Secretaria Nacional de Proteção Global. Essas ações consistiram em campanhas em redes sociais e televisão afim de esclarecer as pessoas sobre esse problema, fomentando o debate. Além disso esse órgão governamental deve recrudescer a fiscalização nas fronteiras, impedindo que as pessoas sejam transportadas. Assim, é possível evitar que situações de exploração da vida humana ocorram, como é mostrado na obra “Salve Jorge”.