É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 24/11/2020
Para Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro, o processo civilizatório do mundo contemporâneo é baseado no lucro e não no ser humano. Nesse contexto de intensa mercantilização da vida, observa-se a prática do tráfico de pessoas para diversos fins: trabalho escravo, exploração sexual, roubo de órgãos. Essa realidade parece reflexo da desinformação da sociedade brasileira, bem como das políticas públicas ineficazes para seu combate no país - cenário fundamental para a ampliação dessa conjuntura.
Diante disso, é indubitável que a escassez de espaços de diálogo, nas escolas e nas mídias, sobre essa mazela social esteja entre as causas de sua existência. Segundo Paulo Freire, a educação é uma importante ferramenta para a mudança das realidades sociais. Nesse sentido, a falta de debate a respeito da atuação dos traficantes de pessoas nas instituições de ensino e nas redes sociais possibilita a manutenção da inconsciência coletiva quanto a prática desses atos criminosos. Como resultado, tem-se o aliciamento menos resistente da sociedade pelo tráfico, especialmente nas comunidades carentes, visto que, sem orientação, essas pessoas são facilmente atraídas pelas falsas promessas de melhores condições de vida oferecidas pelas quadrilhas, o que amplia as taxas de desaparecimento no país.
Outrossim, as políticas governamentais ineficazes potencializa tal quadro. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, apesar do recente endurecimento das leis punitivas ao tráfico de pessoas no país, o Brasil não possui um banco de dados nacional para reunião desses casos. Esse inaceitável descaso público com as ferramentas de controle e de fiscalização desses crimes dificulta o mapeamento das ações e a investigação dos grupos criminosos, a exemplo do rastreamento financeiro, conjuntura que estimula o tráfico frente a impunidade .
Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que mitiguem o tráfico humano no país. Destarte, o Ministério das Relações Exteriores, em parceria com as Secretarias de Educação, deve informar a sociedade sobre as principais formas de abordagem dos traficantes, por meio de campanhas publicitárias na televisão e nas redes sociais e por oficinas e palestras com psicólogos e com oficiais de justiça nas escolas, a fim de conscientizar a população quanto à existência desses crimes e dificultar o aliciamento. Por fim, o Ministério da Justiça deve implantar um banco de dados nacional sobre os casos de tráfico de pessoas para unificar as informações e viabilizar a investigação dos grupos criminosos. Assim, poderar-se-á reduzir esse mal no país e valorizar o bem-estar humano em detrimento do lucro cego.