É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 12/11/2020
O poema ‘‘Navio Negreiro’’, escrito pelo baiano Castro Alves, denuncia os horrores do regime da escravidão e do comércio envolvendo a figura humana, ainda legalizados nesse período. É perceptível, contudo, que tais abusos e desrespeitos permaneceram, mesmo que de modo ilegal e velado, na sociedade pós-abolição. Portanto, fatores como a ineficiência estatal e o descompromisso midiático desafiam o fundamental combate efetivo e amplo ao tráfico de pessoas no Brasil e no mundo.
Vale destacar, inicialmente, a negligência do Poder Público para com a problemática como impasse alarmante. Nesse sentido, a elaboração da Constituição Federal, há 32 anos, foi pautada na definição da plena liberdade como direito inalienável e dever governamental. Contudo, nota-se que a realidade prática destoa da teórica magna, pois dados do Ministério da Justiça indicam que cerca de 2.000 brasileiros foram retirados de sua terra e explorados desde o início do século. Sob esse viés, percebe-se nesse cenário a negação de direitos e, por isso, há urgência de mudanças.
Além disso, deve-se considerar o pouco engajamento dos meios comunicativos como desafio. Assim sendo, o sociólogo Bourdieu, em seu conceito de ‘‘Violência Simbólica’’, define a prática da omissão, quando dentro da comunidade, constitui-se como agressão implícita. Dessa forma, os canais de mídia são violentos por não utilizarem devidamente seu poder informativo para denunciar e prevenir situações de tráfico humano, isso comprova-se pela infrequência de campanhas a esse respeito. Logo, medidas devem ser tomadas no Brasil para transformar esse panorama.
Diante disso, compete ao Ministério das Comunicações criar movimentos midiáticos, por meio de parcerias com empresas privadas. Por sua vez, essa parceria deve proporcionar a divulgação, em pelo menos 1 hora semanal do período nobre do rádio e da televisão, de alertas acerca do tráfico humano e de seus modos de prevenção, com o fito de combater o contrabando de pessoas. Dessa maneira, males como os retratados em ‘‘Navio Negreiro’’ hão de ficar presos ao tempo passado.