Diversidade de gênero em questão no Brasil

Enviada em 21/03/2020

Em seu livro “Problemas de Gênero”, a filósofa americana Judith Butler possui o objetivo de levar à desconstrução de seus leitores com relação às opressões que carregam os rótulos homem e mulher, destacando o caráter fluido da expressividade humana. Entretanto, apesar de garantida constitucionalmente, a liberdade de expressão não é plenamente respeitada na sociedade brasileira, pois predomina-se o preconceito enraizado e a falta de representatividade.

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, fatos sociais são tradições dotadas de exterioridade, generalidade e coercitividade, impondo limitações sobre os indivíduos. Assim podemos interpretar a questão de gênero no Brasil, onde conceitos discriminatórios são transmitidos de geração em geração. De maneira abusiva, pais recriminam seus filhos e reforçam padrões, determinando que certas atitudes devem ser seguidas desde o nascimento, de acordo com o sexo biológico da criança, independente de como essa queira performar. Consequentemente, cria-se uma civilização cada vez mais inibida e preconceituosa, a qual inconstitucionalmente permite violência verbal, psicológica e até física com aqueles ditos diferentes.

Outrossim, a chamada “normatividade” não é imposta apenas no meio familiar, mas também nos veículos de comunicação brasileiros, cujas programações são limitadas à visão de mundo conservadora em vigor. Diferentemente, outras nações já tem investido em repertórios mais livres, como demonstrado no reality show estadunidense “RuPaul’s Drag Race”, em que há uma competição amistosa entre “drag queens”. Dessa forma, por serem invisibilizados, jovens em formação reprimem a si próprios, por receio de sofrerem bullying e humilhações.

Portanto, conclui-se que medidas são necessárias para reverter o cenário preconceituoso de nosso país. Assim, é dever do Estado garantir a verdadeira liberdade, reforçando as penas para crimes de discriminação e promovendo cursos sobre questões de gênero para os profissionais do direito e da polícia, a fim de que esses tenham capacidade para lidar com os casos. Ademais, é preciso que o Governo Federal realize campanhas que estimulem a realização de denúncias, para que os denominados “queer” não se sintam desamparados. Além disso, é fundamental que as emissoras e editoras reconheçam que há um público ainda a ser representado, tornando-se necessários investimentos em novos conteúdos, os quais contemplem toda a diversidade social. Assim sendo, encaminharemo-nos para um futuro de mais respeito e solidariedade.