Diversidade de gênero em questão no Brasil

Enviada em 19/03/2020

O paradigma de gêneros está presente na sociedade brasileira desde a época pré-cabralina, posto que os indígenas delimitavam por meio do sexo quais atividades um indivíduo iria realizar na comunidade. Hodiernamente, há uma gama de identidades a que alguém pode pertencer, desde cisgênero a não-binário, no entanto, grupos que destoam do padrão sofrem discriminação, principalmente por conta da falta de interesse do Governo em alterar essa realidade e do preconceito enraizado nas famílias.

Sob a ótica governamental, percebe-se que o Supremo Tribunal Federal agiu de maneira benévola ao criminalizar atos de ódio contra a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais). Contudo, nenhum órgão do Estado recolhe dados acerca da violência sofrida por esse contingente, mostrando descaso para com tais cidadãos e incentivando a sociedade a agir de maneira preconceituosa. Logo, é necessário que haja a criação de políticas públicas que amparem e tornem mais visível a minoria em questão para complementar a atuação da criminalização.

Ademais, sob a ótica social, nota-se que muitas famílias são conservadoras em relação à questão de gênero e sexualidade, visto que a cultura dos integrantes mais velhos, a qual é passada para os mais novos, foi construída em um cenário sexista. A consequência disso é a violência física e/ou psicológica contra indivíduos que tenham outra identidade de gênero que não seja a cisgênero, levando-os a fugir de seus lares para viver nas ruas, vulneráveis ao crime. Em contrapartida, a existência de núcleos familiares que agem de maneira exemplar para com pessoas LGBT, retratada na música “Preta” do duo Anavitória, que finaliza com a frase “Tem nada errado se é o que te faz feliz.” mostra que é possível a mudança de comportamento na sociedade.

Por conseguinte, analisando os fatos, compreende-se a necessidade da erradicação do preconceito contra a diversidade de gênero, a qual deve ser realizada pelas escolas, que devem, a partir do ensino fundamental maior, apresentar aos jovens a existência de diferentes modos de ser para normalizar a situação das minorias de gênero no cenário atual por meio de aulas com debates entre os alunos para difundir uma cultura mais diversa. Além disso, o Governo Federal deve realizar censos para recolher dados sobre crimes contra transsexuais e outras minorias. Dessa forma, a realidade de “Preta” se tornará mais popular e a sociedade será mais igualitária.