Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 05/02/2019

A falsa diversidade

O Estado brasileiro foi formado na presença de diferentes povos, mas sua cultura foi construída a partir da dominação europeia. Portando, as faces brasileiras são diversas, porém a expressão cultural é, majoritariamente, branca e cristã. A dominação do colonizador, contudo, foi mascarada pela ideia do fardo civilizatório europeu e pelo darwinismo social. Como consequência, grande parte dos brasileiros não entende seus privilégios causando, desse modo, impasses para a discussão da apropriação cultural.

Primeiramente, o mito da democracia racial de Gilberto Freyre criou o ideal da miscigenação harmoniosa entres as etnias brasileiras. A noção de harmonia apaga a luta dos africanos e índios contra a dominação e esconde as políticas de branqueamento do governo canarinho. Como resultado, tem-se uma população branca de privilégios que ignora a história de violência e de anulação das culturas dos povos não europeus. Por isso, não se pode falar em uma verdadeira diversidade cultural, pois a realidade brasileira é a reprodução da colonização, que invalidava a cultura dos demais povos.

Assim sendo, a falsa diversidade marginaliza a discussão da apropriação cultural. Como o senso comum acredita na pluralidade, esse entende que as expressões culturais não hegemônicas também lhe pertence. Além disso, ao ignorar a dominação branca, o povo brasileiro rejeita o seu preconceito, e, com isso, vê com superioridade e sem noção da história por trás dos costumes das diferentes etnias que formam o país. O resultado disso é o uso indevido de turbantes e pinturas corporais indígenas como fantasias, quando, na verdade, esses possuem significados e situações para serem usados.

Portanto, fica evidente que, o branco brasileiro precisas entender sua posição de privilégios para , então, entender a questão da apropriação cultural. Para garantir mudanças, o Mistério da Educação deve fiscalizar se o ensino das culturas africanas e indígenas- garantido por lei- está sendo feito e, com ajuda dos integrantes desses povos, promover palestras para o debate de suas histórias, desconstruindo, assim, o mito da democracia racial. Além disso, o Ministério da Cultura pode, em parceria com ONGs, promover cartilhas que expliquem a questão da apropriação cultural e seus casos mais comuns para, dessa maneira, garantir o respeito das tradições . Desse modo, podemos permitir que o Brasil seja realmente diverso e, não, a continuidade do desrespeito.