Direito à saúde em questão no Brasil
Enviada em 26/06/2020
Em “O Cortiço”, obra do escritor naturalista Aluísio Azevedo, são retratadas as péssimas condições de saúde dos brasileiros de classe baixa no início do século XX, que, comparados a “larvas que se multiplicam no esterco”, careciam de condições higiênicas e sanitárias ideais. Atualmente, a constituição federal de 1988, garanta o direito à saúde, disponível de forma universal e gratuita. No entanto, nota-se, na contemporaneidade brasileira, a falta de acesso a atendimentos e serviços de qualidade no sistema de saúde, em virtude do pouco investimento do Estado e a tolerância da população diante desse descomprometimento. Dessa forma, é preciso uma maior receita orçamentária para a saúde pública e a conscientização dos brasileiros sobre seus direitos.
Em primeira análise, há dificuldade em obter-se condições adequadas para o sistema público de saúde, em razão da negligência do governo. Nessa perspectiva, na teoria da percepção do estado da sociedade, de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Sob essa ótica, “normal” seria existirem tratamentos preventivos, por exemplo, exames de rotina (para o diagnóstico precoce de uma possível doença); juntamente com o oferecimento de medicamentos básicos. No entanto, na realidade ocorre o “patológico”, no qual há detrimento da prestação da saúde, haja vista que, existe ausência de investimento em recursos hospitalares. Desse modo, a saúde do país se mostra insatisfatória.
Além disso, a participação da população é importante na solicitação de atendimentos dignos para uma melhor qualidade de vida. Nesse sentido, de acordo com a Socióloga Hanna Arendt, sobre o conceito de banalidade do mal: quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Seguindo essa linha pensamento, o constante abandono da saúde pública pelo Estado surge em razão do conformismo social e da naturalização dessa realidade. Dessa forma, é imperioso elucidar, para os usuários, os mecanismos sobre os quais podem se mobilizar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de mudanças na saúde pública. Dessa maneira, com objetivo de melhorar a qualidade dessa, o Estado deve aumentar seu investimento, por meio da utilização desse recurso em: aumentar os salários dos servidores; aprimorar a estrutura de UBSs; comprar recursos básicos que podem estar em falta, etc. Ademais, as ONGs vinculadas a saúde pública devem conscientizar a população sobre como recorrerem a seus direitos, por intermédio da realização de palestras públicas em redes sociais. Dessa forma, deixa-se no passado a aproximação das condições de vida da camada popular à “larvas no esterco”, progredindo, assim, para um mundo .mais justo.