Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 29/10/2019

Na série animada “Angel Beats” o personagem principal torna-se doador de órgãos após um acidente fatídico, tal atitude salva a vida de uma garota que virá a conhecer. Apesar de ficcional, essa situação não se afasta tanto da realidade, De acordo com o Governo Federal, o Brasil é Recorde em doação de órgãos, contudo ainda há desafios que precisam ser vencidos, há questões culturais e religiosas que somadas à ignorância social acerca do assunto, inviabilizam que vidas sejam salvas, conseqüentemente é fulcral que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro.

Primordialmente, nota-se que apesar do estado ser laico, a maioria da população possui poderosos alicerces religiosos que influencia em sua ética e moral, nesse sentido fica nítido que a religião causa a negligência da sociedade a respeito das doações de órgãos. Como visto pela participante do Reality Show “Big Brother Brasil” que alegava a impossibilidade de doar órgãos, pois seria inviável ir ao céu sem seus olhos ou coração. Acerca dessa premissa, faz-se mister que tais embasamentos errôneos sejam derrubados, permitindo que um ato nobre possa ocorrer.

Ademais, é factual que a ignorância da sociedade acerca do assunto é outro fator negativo, as famílias de falecidos impedem que seus órgãos sejam doados para um bem maior, analogamente ao trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade “ no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho” fica claro que a ignorância é uma pedra no caminho do progresso das doações de órgãos, portanto, é imprescindível que haja a desmistificação a cerca do assunto para a reversão dessa situação infeliz.

Para mitigar o quadro atual, urge que o Ministério da Saúde realize uma campanha nos Hospitais, Postos de Saúde e Unidades de Pronto Atendimento, por meio de cartazes e veiculando propagandas midiáticas em canais de TV Aberta, viando a propagação das doações de órgãos e o incentivo dessa nobre ação, dessa forma, contribuindo para que vidas sejam salvas. Somado a isso, O Ministério da Educação, com parceria das Secretárias de Educação e Saúde de cada estado, deverão executar palestras em locais públicos como escolas e estádios, cuja realização ocorrerá com o apoio da comunidade, Organizações não Governamentais e capital direcionado pelo Tribunal de Contas da União, havendo relatos de casos reais sobre pessoas salvas pelas doações, o expurgo de preconceitos religiosos, e a quebra de tabus e ignorâncias da sociedade. Dessa forma haverá a quebra de paradigmas corroborando com o crescimento gradativo de doações, elevando o quadro de pessoas salvas, doar órgãos é doar vida.