Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/10/2019
O Brasil é, hoje, uma das maiores referências em doação de órgãos no mundo. Entretanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido, tendo em vista que, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, cerca de 30 mil pacientes ainda aguardam, na lista de espera, uma doação. Dessa forma, percebe-se que a permissão para o transplante de órgãos deve ser tratada com urgência e solidariedade, afinal, em muitos casos, trata-se da única chance de recomeço do indivíduo e, claro, auxilia no combate ao tráfico ilegal de órgãos.
Primeiramente, é de fundamental importância ressaltar que, apesar do destaque internacional brasileiro na doação de órgãos, o índice de doadores por milhão de população (PMP) é extremamente pequeno. No Ceará, destaque nacional no quesito, observa-se apenas 23,2 doadores PMP. Logo, percebe-se de maneira nítida o desconhecimento popular sobre a necessidade da doação e a ausência de urgência que circunda a sociedade.
Por conseguinte, de maneira agravante ao exposto, observa-se a prática do tráfico ilegal de órgãos. Ou seja, famílias estruturadas financeiramente, com integrantes em estados clínicos graves, em longas filas de espera, buscam maneiras alternativas de conseguir o órgão necessário, estimulando, assim, uma atividade criminosa e extremamente recorrente em países de pequeno porte.
Em síntese, nota-se que a doação de órgãos é um problema de caráter social. Portanto, visando uma resolução de curto prazo, cabe ao Governo Federal, em trabalho conjunto com o Senado e a Câmara dos Deputados, sancionar uma lei de obrigatoriedade a doação de órgãos em casos de morte cerebral, visando, dessa forma, alcançar uma resposta imediata e com a urgência que os paciente, nas filas de espera, necessitam.