Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/10/2019
A Segunda Guerra Mundial foi o conflito armado que mais deixou vítimas na história. Porém, as dificuldades enfrentadas durante a guerra levaram a criação de vários avanços tecnológicos e medicinais, como o transporte de órgãos, técnica que se torna cada vez mais precisa e ajudar a salvar vidas. Todavia, no Brasil, esse procedimento ainda enfrenta barreiras para ser aplicado de forma mais abrangente, isso de da por conta da falta de informação e pelas crenças instauradas em parte da população somadas com o descaso público.
Primeiramente, cabe ressaltar como a falta de informação cria empecilhos para a doação de órgãos. Nesse sentido, como Durkheim defendia, na teoria da coercitividade, forças enraizadas na sociedade refletem na escolhas e liberdade dos indivíduos. Dessa forma, crenças e dogmas oriundos de religiões e pré-conceitos, ainda, interferem na questão da doação de órgãos, por exemplo, algumas religiões condenam a simples prática de doação de sangue. Com isso, percebe-se que uma parcela dos brasileiros ainda não possui clareza sobre os procedimentos e a importância da doação de órgãos. Assim, uma das ferramentas da medicina para salvar vidas continua sendo subutilizada.
Outrossim, é valido destacar a falta de ações do poder público para reverter esse cenário. Nesse viés, o filósofo Hobbes afirmava que cabe ao Estado garantir o bem-estar social. Entretanto, segundo a Associação Brasileira de Transporte de Órgãos o Brasil possui cerca de 30 mil pacientes na fila de espera de órgãos, fato gerado pela ineficácia dos sistemas de saúde em conjunto com leis que enrijecem os processos de doações de tecido, deixando a mercê da família a escolha ou não pela doação dos órgãos de indivíduos que não se posicionaram quanto a isso antes da morte. Dessa forma, o Estado deixa de salvar vidas, o que vai de encontro com o bem-estar social e com as ideias de Hobbes.
Depreende- se, portanto, a necessidade de uma ação do Estado para mitigar o problema. Isso, se dará com uma parceria entre os Ministério da Saúde e da Educação, que serão responsáveis por criar políticas a fim de orientar a população desde a educação básica quanto a doação de órgãos e sua importância, por meio de eventos e palestras com especialistas. Além disso, cabe ao Senado aprovar projetos de leis que visam flexibilizar a doação de tecidos, para que, dessa forma, mais pessoas sejam contempladas. Assim, os desafios superados na Segunda Guerra Mundial para possibilitar os avanços medicinais não serão em vão.