Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/10/2019
No que tange à história do transplante de órgãos, a principal dificuldade encontrava-se na rejeição biológica, que foi solucionada na década de 70. Contudo, no Brasil contemporâneo, a problemática tem sido vista sob uma ótica distinta, na relação indivíduo e sociedade. Nesse sentido, a questão da doação de órgãos enfrenta um impasse em âmbito sociocultural, aliado a preceitos históricos.
A princípio, a questão supracitada tem sido um problema ligado a um contexto histórico cultural. A partir da herança deixada pelo processo colonizador e a persistência de uma intensa repressão em relação à conduta humana, pode-se perceber que a doação de órgãos é considerada um tabu na sociedade brasileira, em que a ausência de diálogo muitas vezes impede o esclarecimento e reflexão mais assertiva. Tal fato pode ser evidenciado pelo grande cientista Albert Einstein, que afirmava ser mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito.
Em segunda instância, a falta de posicionamento individual perante a questão contribui para reduzir o número de doadores. Segundo a Associação Brasileira de transplante de órgãos, cerca de 47% das famílias recusam a doar órgãos de parentes com morte cerebral. Ainda que assegurado pela lei o direito de transmitir em vida a vontade de doação, é evidente que tal decisão passa a ser tomada pelos familiares, que optam por negar a ação por desconhecimento em relação à doença que levou à morte, como também, pelo despreparo em avaliar a questão em momento de luto.
Roga, portanto, medidas para aumentar a solidariedade e oportunidade à vida. Nesse sentido, é cabível uma ação conjunta entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação para promover a sensibilização e educação relativa ao tema, por meio da inserção da questão no conteúdo programático do ciclo básico escolar, estimulando a discussão e a reflexão da importância da doação de órgãos, desde os primeiros anos de formação para que se consiga alterar o curso da história.