Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 29/10/2019

Com posição de destaque em transplante de órgãos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial, e vem ampliando sua tecnologia e serviços de infraestrutura. No entanto, apesar dos significativos avanços, milhares de brasileiros ainda morrem na fila de espera por um órgão. Isso acontece devido ao desconhecimento pelo processo de doação, o que acarreta a recusa dos familiares quanto a doação, e por problemas logísticos que travam a ampliação do sistema.

O desconhecimento acerca do processo de doação é fator fundamental para a recusa dos familiares. Segundo dados do Ministério da Saúde, das mais de 5000 famílias consultadas no ano de 2018, mais da metade não autorizaram a doação. Isso acontece, pois em grande parte dos casos, a família só vai ter oportunidade de se familiarizar com o processo em uma situação dramática como a morte de um ente querido, dificultando no entanto, o apoio a um procedimento até então desconhecido. É sob esse aspecto que fica evidente a necessidade de uma educação como a empregada em países como Estados Unidos e Espanha, nos quais desde a infância se discute entre os cidadãos a importância da doação, fornecendo conhecimentos acerca do processo e diminuindo assim, a recusa dos familiares.     Concomitantemente ao desconhecimento populacional, há no sistema de saúde brasileiro uma precarização estrutural. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Orgãos (ABTO), cerca de 5 a 10% das causas de não efetivação da doação são por problemas logísticos, como a impossibilidade de transporte de um potencial doador e falta de leitos na UTI. Tais estatísticas evidenciam no entanto, a deficiência conjuntural em que se encontra o sistema de transplantes, uma vez que os problemas são efeitos de uma má gestão. É sob tal aspecto que se encontra a necessidade da intervenção governamental por meio de investimentos que amenizem tais problemas e não afetem a vida de alguém que precise de um órgão.

Tendo em vista as problemáticas que cercam os dilemas da doação de órgãos e com a finalidade de ampliar seus serviços e melhorar a vida de quem necessita, é imprescindível que o Governo Federal, através dos Ministérios da Saúde e da Educação, não só proporcionem o conhecimento e informação á população acerca do funcionamento e importância da doação, como também atue por meio de investimentos que ajudem a melhorar o funcionamento do sistema de transplantes- evitando problemas como a falta de leitos, dificuldade de deslocamento ,dentre outros. É dessa maneira que o sistema de saúde brasileiro ganhará a confiança dos familiares, ampliando seu projeto e fornecendo saúde de qualidade á população.