Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/10/2019
”O importante não é viver, mais viver bem.” Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a própria existência. Entretanto no Brasil essa não é uma realidade para os indivíduos que necessitam de uma doação de órgão, já que o tempo de espera na fila de espera não condiz com a urgência do transplante. Com isso, ao invés de agir para tentar aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada por esse grupo, as famílias dos possíveis doadores e o governo contribuem com a situação atual.
Em primeiro plano, evidencia-se que, segundo o jornal O Globo, as famílias não autorizam a doação em cerca de 50% dos casos. Isso se da principalmente devido a falta de informação e o desconhecimento sobre a importância da doação. Dessa forma, é possível aferir que devido a isso, a tendência natural é a negação, já que não é comum que campanhas para informar a população sobre o tema sejam veiculadas na televisão ou nas redes sociais.
Ademais, outro obstáculo para que as doações sejam feitas é a Lei de Transplantes, na qual fica estabelecida que só se pode remover órgãos e tecidos para transplante depois de autorização dos familiares, mesmo quando o doador deixa o consentimento por escrito. Desse modo, mais de 30 mil indivíduos que esperam por um transplante são prejudicados por essa legislação, pois de acordo com a Organização de Procura de Órgãos, em 2016, dos 10 mil pacientes aptos a doar, apenas 3 mil tiveram seus órgãos doados. Logo, é notável que a legislação precisa ser alterada para que a fila de espera seja diminuída.
Dado o exposto, faz-se necessário que, o Governo Federal juntamente com o Poder Legislativo modifiquem a lei dos transplantes, de modo que prevaleça a vontade do indivíduo que autorizou a doação previamente, por meio de um cadastro o qual pessoas interessadas em doar se inscrevam e forneçam os dados requeridos, a fim de impossibilitar as famílias de vetarem as doações. Além disso, é importante que o governo crie campanhas para serem exibidas nos meios midiáticos, com o propósito de informar a população sobre a doação de órgão, tendo em vista aumentar o conhecimento sobre o tema com o intuito de ampliar o número de doadores. Somente assim, esses indivíduos não apenas existirão, mais viverão bem, assim como na realidade descrita por Platão.