Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 15/07/2019

A série norte-americana ‘‘Greys Anatomy’’ term sua trama desenvolvida em um hospital dos Estados Unidos. Uma das temáticas mais retratadas pelo seriado é a dificuldade no processo dos transplantes de órgãos. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pelos episódios pode ser relacionada com os hospitais do seculo XXI: gradativamente, a falta de estrutura hospitalar e as relações familiares corroboram para o aumento das mortes de pessoas que não conseguem os órgãos necessitados.

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Através desse trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, vê-se que determinado problema se configura como um obstáculo na  vida do eu-lírico. Analogamente, é importante citar a negligência do governo como um obstáculo na vida das 35 mil pessoas que ocupam a lista de espera de transplantes; uma vez que o mesmo é responsável pela falta de investimentos em profissionais preparados e em outros tipos de transportes para facilitar o processo. Conforme isso, os dados da  Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos informam que cerca de 50% dos órgãos disponíveis para transplante por falta de notificação da morte encefálica, despreparo da equipe médica ao lidar com os familiares e principalmente por falta de transporte aéreo. Dessa forma, pode-se concluir que mesmo quando existe a doação, o órgão provavelmente se perderá durante o processo.

Faz-se mister, ainda, salientar as famílias dos possíveis doadores como impulsionadoras do problema. De acordo com a ABTO, a recusa dos familiares em autorizar os transplantes é de 43%. Diante de tal contexto, a falta de conversa entre essas pessoas sobre o assunto ainda é um tabu, visto que essa é uma prática reprovável por algumas religiões. Há também, a grande confusão que o conceito de morte cerebral causa nos familiares, pois os mesmos deparam-se com a pessoa com o coração batendo e os demais órgãos funcionando, o que dificulta a compreensão de que ela esteja morta.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas para resolver o impasse. Para que seja finalizado as adversidades relacionadas às doações e aos transplantes, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, por meio de campanhas nas redes sociais (Facebook e Instagram), abordem o tema da problemática, visando a divulgação de informações sobre o transplante de órgãos no Brasil. Além do mais, o Poder Executivo deve fazer maiores investimentos no preparo das equipes de profissionais na área de saúde e nos meios de transportes utilizados para coleta dos órgãos.