Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 10/07/2019
Segundo o sociólogo contemporâneo Sérgio Buarque de Holanda, as tendências comportamentais dos brasileiros são orientadas de acordo com o altruísmo e a compaixão. Tal premissa, entretanto, não se reflete na promoção da doação de órgãos no Brasil, visto que pessoas dispostas a doar e aqueles que precisam do transplante sofrem desafios para a realização da ação. Assim, faz-se fundamental analisar a problemática, seja pela falta da infraestrutura necessária a essa prática, seja pelo desconhecimento do processo de doação.
Inicialmente, é válido reconhecer a ausência de infraestrutura hospitalar como um dos principais entraves na resolução do problema. Nesse contexto, a carência de aparelhos e de exames voltados à doação e ao transplante contribui para o prolongamento do processo de identificação de potenciais doadores, o que pode resultar na inutilização desses órgãos e no aumento das filas de espera. Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de investir no sistema de saúde pública para a total efetivação da concessão de órgãos.
Além disso, a desinformação sobre a doação de órgãos também pode ser apontada como empecilho no estudo da problemática. Nessa perspectiva, observa-se que a ausência de discussões e informações acerca desse procedimento, tanto no meio escolar quanto no cotidiano, provoca o distanciamento da sociedade de seu caráter solidário. Tal fato pode ser observado a partir da pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, na qual se afirma que 47% das famílias que possuem parentes como doadores rejeitam o transplante. Desse modo, é inegável o papel que as campanhas publicitárias devem constituir na mudança de comportamento do meio social.
Fica evidente, portanto, que são necessárias medidas para enfrentar os desafios da doação de órgãos no Brasil. Logo, é mister que o Estado, como instituição responsável por garantir o acesso ao meio sanitário, promova a renovação da infraestrutura hospitalar, mediante a ampliação dos investimentos que objetivem a compra de aparelhos relacionados ao transplante de órgãos. Outrossim, o Estado, junto ao meio midiático, também deve divulgar informações acerca do processo de doação, por meio de campanhas publicitárias e palestras nas escolas que conscientizem a população sobre essa ação. Espera-se, assim, que as pessoas possam pôr em prática o altruísmo observado na sociedade brasileira pelo sociólogo Sérgio Buarque.