Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 16/06/2019
Promulgada em 1948, a Comissão dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde, educação, segurança, bem como ao bem-estar social. Contudo, devido à falta de confiança por parte das famílias de possíveis doadores, e de fatores externos, uma pequena parcela da população, que necessita de transplantes, acaba tendo tais direitos negados na prática. Nessa perspectiva, é necessário que tais problemas sejam superados, formando uma sociedade mais desenvolvida.
Assim sendo, pode-se afirmar que no Brasil ainda há um alto desperdício de órgãos destinados à doações. Dentre os principais motivos que levam a não concretização de transplantes estão problemas de logística, de falta de exames que comprovem a procedência ou a condição do doador, além da indisponibilidade de equipes médicas especializadas em realizar tal ação. Segundo dados do Ministério da Saúde, em média, no país, três órgãos que teriam a finalidade da doação por dia são desperdiçados.
Ademais, faz-se mister, ainda, citar a desconfiança de familiares em relação ao tema como precursora de tal problema. Segundo dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos), apenas 30% das pessoas aptas a realizar transplantes se tornam doadoras de fato. A partir disso, é pertinente afirmar que tais números são um reflexo da falta de informações de entes próximos do possível doador, ocorrendo, sobretudo, por conta da despreparação de médicos em conduzir e prestar a assistência correta a família, levando a uma insegurança destes quanto à correta destinação dos órgãos.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de políticas públicas, criar centros especializados que sejam responsáveis pelo transporte, realização de exames e verificação da qualidade dos órgãos, além da garantia de que equipes capacitadas na realização de transplantes estejam sempre disponíveis, evitando assim o desperdício e, ainda, que sejam criados cursos preparatórios com o objetivo de aprimorar a ação de médicos nesses casos, fazendo com que esses conduzam este tipo de situação da maneira mais eficaz, conquistando a confiança das famílias e aumentando as chances de doação.