Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 07/06/2019
Ao afirmar “tinha uma pedra no meio do caminho”, o poeta modernista Drummond expressou conotativamente os percalços existentes na sociedade. Tal metáfora literária assemelha-se ao atual panorama referente à questão da necessidade da popularização da doação de órgãos. Pois, trata-se de um dos problemas enfrentados na atualidade, à medida em que ocorre a negligenciação do processo de conscientização para esse tema.
Em primeira análise, é indispensável deixar de relacionar essa problemática com a falta de empatia de muitas pessoas, somada, na maioria das vezes, a ausência de esclarecimento sobre o processo de doação de órgãos. Não obstante, não errou o sociólogo Zygmunt Bauman ao escrever no livro “Cegueira Moral” que o mal não está inserido nas guerras, mas sim, quando a sociedade deixa de reagir ao sofrimento do próximo. Diante disso, reflete-se a existência de uma sociedade retrógrada de princípios solidários e pela falta de um real conhecimento sobre como acontece o procedimento para a realização de doação de órgãos, acaba criando preceitos os quais dificultam vencer as barreiras dessa problemática. Além disso, tais condutas convergem para distribuição de esperança, da maioria das pessoas as quais aguardam por um transplante.
Nessa perspectiva, é notório relatar que graves consequências podem vir à tona diante dessa lamentável circunstância. É oportuno mencionar o caso do filme “Tráfico de Órgãos”, no qual retrata o rama de um pai, em busca de salvar a vida da própria filha, acaba recorrendo ao mercado negro. Porém, ao descobrir que uma criança ia ser morta para retirar o órgão o qual salvaria a filha, recusa o procedimento. Tal fato simboliza o quanto pessoas vítimas dessa realidade almejam por uma solução, buscando, muitas vezes, atos ilegais. Além disso, convém ressaltar o cotidiano de crianças, jovens, adultos e idosos com câncer, por exemplo, é formado por uma angustia, dor e sofrimento, os quais, não obstante, poderiam ser transformados por um simples ato de solidariedade ao próximo.
Diante dessas tecidas análises, o Estado em parceria como Ministério de Comunicação, deve promover debates para a sociedade, em prol de promover um maior esclarecimento sobre esse tema. Para isso, é fundamental que haja a presença de pessoas as quais já, realizaram doação de órgãos, mostrando o quão simples foi o procedimento; como também, aqueles que foram receptores de transplante, relatando o drama vivido e a satisfação e felicidade de obter uma oportunidade de uma nova vida. Sugere-se, também, a criação de leis por parte do Poder Legislativo, as quais tornem obrigatório a assinatura de um documento o qual deixe claro a opção de doar ou não os órgãos. Poder-se-á assim, favorecer a criação de um legado social mais solidário e dotado de empatia.