Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 13/05/2019
Na Espanha, a doação de órgãos ocorre em larga escala e, por consequência, o país é o líder dessas doações a 25 anos. Já no Brasil, esse título está longe de ser conquistado, haja vista que há falta de informações sobre essa prática e, além disso, o quadro é agravado com baixos investimentos na infraestrutura, assim como em profissionais capacitados. Desse modo, cabe analisar os efeitos da problemática para o Brasil.
Diante dessa conjuntura, vê-se a falta, ou a má distribuição de hospitais especializados em transplantes, como um grande impasse. De acordo com a Associação Brasileira de Doação de Órgãos, há alta concentração de infraestrutura para esse tipo de procedimento médico no sul e sudeste e há escassez dela no interior do Brasil. Dessa forma, é perceptível que com a desigualdade e com a falta de transporte para os órgãos, como helicópteros, faz com que a fila de espera aumente e, consequentemente, o número de mortos pela falta de assistência também. Ademais, cabe ressaltar que a carência de profissionais causados pelo longo tempo de especialização para realizar os procedimentos, agrava a situação precária da população tupiniquim. Dessarte, a ausência de meios para a realização de transplantes é um grande agente que atrapalha o desenvolvimento pleno do Brasil.
Outrossim, a escassez de informações nos meios de comunicação acabam por permear certo preconceito com a doação, seguido de mitos que devem ser combatidos. De acordo com polos de transplantação de órgãos, as famílias que não doam os do parente falecido, possuem receio do material recolhido ir para o mercado negro ou ainda, do ente ainda estar vivo. Tal situação é agravada por essa doação ainda ser um tabu, portanto, não discutido nas famílias e escolas, deixando o comportamento permear com o fato social de Durkheim, em que as instituições moldam o homem. Desse modo, a falta de informações para as crianças e adultos sobre a situação, a pioram.
Logo, medidas são necessárias para que mais pessoas doem órgãos no Brasil. O MEC, junto com o Ministério da Saúde, por meio de propagandas midiáticas e rodas de discussão sobre a problemática, devem trabalhar a visão de que doar órgãos também é doar vida, e desmistificar crenças sobre este ato. Tudo isso, para que a população reconheça a importância dessa ação de solidariedade, e a faça também. Ademais, o MS deve investir em mais clínicas no interior do Brasil, além de cursos profissionalizantes com maior eficiência, para que pessoas em locais mais isolados tenham a possibilidade de realizar transplantes. Desse modo, é incontrovertível que o país será, daqui uns anos, um grande exemplo como a Espanha é na doação de órgãos.