Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/05/2019
Constatou-se por meio do Ministério da Saúde que há 40 mil pessoas na fila de espera para um transplante de órgãos. Por conseguinte, esse fato reverbera a necessidade de ampliação de doações assim como o incentivo de doadores. Visto isso, têm-se como principais desafios a falta de comunicação entre doador e família, bem como a difícil logística de transporte dos órgãos doados no território brasileiro.
Nesse sentido, o principal empecilho para ampliar a doação de órgãos no brasil é a comunicação entre os familiares; ainda há um grande estigma social acerca da morte, pela ausência de debate o desejo do doador acaba por não ser transmitido à família. Outro ponto relevante é a dificuldade dessa decisão em meio ao luto. Nesse contexto, na ficção o filme “Coração e alma” retrata um adolescente que morreu após um acidente e, em meio a perda a sua mãe precisa decidir sobre a doação de seus órgãos. E, paralelamente, há outra mãe precisando de um coração urgente para seu filho. De forma análoga à realidade, é fulcral a comunicação do desejo de ser doador, para assim, agilizar a decisão familiar e consequentemente o transplante.
Outrossim, devido a urgência no transplante e o tempo que o órgão pode ficar fora do corpo necessitam-se de um transporte rápido, principalmente por causa da extensão do país. Além disso, existem poucas equipes médicas especializadas e estão concentradas no Sul e Sudeste, logo as doações e os transplantes são feitos com mais frequência nessas áreas, segundo dados da Associação Brasileira de Transportes. Esse fato também é retratado no documentário dirigido por Beatrice Costa, em 2015, “Anjos da Vida” em que há a denúncia da predileção do envio de órgãos para hospitais da capital em detrimento do interior.
Diante das razões expendidas, a doação de órgãos precisa ser divulgada e incentivada. Dessa maneira, é fundamental à mídia continuar o debate acerca de necessidade da doação de órgãos, por meio de ficções engajadas - como as da série brasileira “Sob Pressão” -, com o intuito de demonstrar aos potenciais doadores como podem mostrar seu desejo de doar e a importância do diálogo familiar. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde em conjunto com a Força Expedicionária Brasileira enviar equipes capacitadas para regiões de menor índice de doações, desenvolvendo campanhas informativas - as quais devem sanar as dúvidas da população -, a fim de haver um potencial aumento de doadores nessas áreas, e por conseguinte a melhoria de vida dos transplantados.