Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 09/05/2019
Segundo a ABTO (Associação brasileira de transplante de órgãos), a recusa das famílias em autorizar os transplantes de órgãos e tecidos é alta, cerca de 43%. Esse dado faz referência as barreiras logísticas e culturais que envolvem o ato de doar, dividindo então a responsabilidade entre governo e sociedade. Por conseguinte, essa situação causa o sofrimento e a morte de milhares de brasileiros todos os anos.
Doar os órgãos de entes queridos envolve uma questão de ética, pois, quando a possibilidade da doação é apresentada, os familiares precisam colocar a sua dor da perda por um momento em separo, e pensar no próximo. Entre as barreiras que fazem com que os familiares não concordem com a doação, estão a desinformação acerca das regras, do protocolo e das formas de doação, visto que, mesmo que haja a conversa entre o médico ou a equipe especializada e o familiar, ainda existem mitos na sociedade, como a doação de órgãos específicos, por exemplo coração e fígado desfigura o corpo e altera sua aparência na urna funerária. Além disso, por esse tema ser uma espécie de tabu, acontece a falta de comunicação entre possíveis doadores e suas receptivas famílias.
Por analogia, a responsabilização do governo, faz com que a doação muitas vezes não possa se concretizar, em virtude da falta de estrutura de coleta, transporte e transplante dos órgãos pelo fato da distribuição desigual dos centros. Assim sendo, todos os empecilhos para que a doação não ocorra que foram citados durante o desenvolvimento do texto, em resumo corroboram para que o sofrimento das pessoas que estão na fila de espera seja aumentado, causando por fim, a morte desses cidadãos brasileiros.
Portanto, cabe ao governo por meio do Ministério da Saúde investir em campanhas de divulgação de informações sobre a doação de órgãos no Brasil, isso deve ser feito de modo que a publicidade visse derrubar os mitos e temores que levam as famílias a rejeitarem esse gesto, essas mesmas propagandas publicitarias devem ser divulgadas pelos meios de comunicação mais populares, como as redes sociais e a tevê. E afim de, desconstruir o tabu em relação a doação de órgãos e tecidos, as escolas devem abordar o tema em sala, para que os alunos possam atribuir informações e levá-las para casa, fazendo então, com que os pais também adquiram conhecimento através dos filhos. Ademais, cabe ao MEC, por meio das universidades, formar profissionais especializados em logística, para que então os centros especializados sejam distribuídos de forma menos desigual.