Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 07/05/2019

Apesar do Brasil ser o segundo colocado no ranking mundial de transplante de órgãos e de tecidos segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), muitos brasileiros ainda sofrem nas filas infinitas à espera de um doador. Nesse contexto, a falta de solidariedade assim como da informação contribuem para o crescimento desses números.

A princípio, percebe-se que muitos brasileiros não possuem interesse em doar órgãos. Essa carência de empatia, para o filósofo polonês Zygmunt Bauman, é consequência o individualismo e do imediatismo moderno que fomentam relações cada vez mais fragilizadas e desvirtuadas. Por conseguinte, ações altruístas como o oferecimento para a doação de órgãos são dificultadas. Além disso, nota-se que não há diálogo sobre esse assunto, inviabilizando assim, incentivos eficazes que impulsionem a adoção desse ato.

Ademais, a ausência de divulgação sobre informações acerca das regras, do protocolo e das formas de doação perpetua a atual situação brasileira. Nessa conjuntura, as famílias de potenciais doadores, por não saberem a opinião do indivíduo, acabam se posicionando contra o transplante. Dessarte, de acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, 60% das famílias se recusam a doar órgãos de seus parentes falecidos. Entretanto, esse quadro poderia ser revertido caso os indivíduos interessados em serem doadores conhecessem os mecanismos necessários para efetivar tal ação.

Portanto, a fim de garantir a maior doação de órgãos no Brasil, cabe ao Ministério da Saúde, promover campanhas divulgando informações sobre o transplante de órgãos, por meio de redes sociais e agentes de saúde, de forma a atingir o maior número de pessoas. Outrossim, as escolas devem abordar esse tema em sala de aula, com vistas a incentivar a adesão desse ato para que, dessa forma, haja a diminuição das filas de espera.