Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 01/06/2019

É inegável que o transplante de órgãos além de representar grande avanço na área das ciências médicas, maximiza a expectativa de vida da população. Hodiernamente, no Brasil, o índice de doação de órgãos teve aumento significativo, porém, insuficiente, tendo em vista que, o número de pessoas que necessitam de transplante chega a trinta e cinco mil e ainda existem inúmeros obstáculos para extinguir as filas de espera. Nesse sentido, é importante analisar a omissão da mídia - com a divulgação de informações- bem como o desvelo do governo como principais fatores do dilema da doação de órgãos, a fim de promover medidas eficazes para atenuar o problema.

É indubitável, de fato, que a doação de órgãos é pauta pouco explorada pelos veículos midiáticos, e isso faz com que a população fique desinformada sobre o processo, alimentando tabus que existem e se opondo  a doação. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o número de transplantes aumentou 15,7% no primeiro trimestre de 2017, no entanto, os índices podem ser mais satisfatórios, por exemplo, se a população soubessem com clareza que a retirada de órgãos só ocorre pós morte cerebral e não ainda em vida - mito que rodeia o processo- e que 1 doador pode ajudar até 9 pessoas. É importante mencionar ainda, que outro fator que atenua o problema é a não declaração -ainda em vida- das pessoas que desejam conceder seus órgãos pós morte, haja vista que, essa atitude torna ágil o processo.

Outrossim, a negligência do governo corrobora para ampliar os obstáculos. A distribuição desequilibrada da rede de saúde no Brasil, por exemplo, sem dúvidas dificulta a doação, pois, as chances de alguém que mora na região norte ou nordeste fazer um transplante são menores do que as chances de alguém que mora no sul ou sudeste, onde estão concentrados os centros de transplantes. Vale ressaltar ainda, que a escassez de transportes ágeis - aéreos- para melhorar o fluxo de órgãos também é somado ao problema, deixando claro a urgência de políticas públicas eficazes para melhorar a qualidade de vida da população.

Portanto, é mister que o estado tome providências para superar o quadro atual. Para conscientizar a população a respeito da importância da doação de órgãos, urge, que o Governo Federal crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nos meios de comunicação que expliquem todo o processo de doação, sobretudo, que ela só é feita após ser constatado morte encefálica. É dever do governo ainda, distribuir de forma igualitária a saúde pública, os centros de transplante e os transportes para locomover de maneira eficiente os órgãos. Somente assim, será possível atenuar as filas de espera, aumentar a expectativa de vida e promover o bem estar social.