Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/04/2019
Stuart Mill,filósofo inglês do século XIX,propôs na sua ética utilitarista o princípio da maior felicidade,na qual a ação moralmente correta é aquela que maximiza a felicidade para o maior número de indivíduos.No entanto,na conjuntura contemporânea,nota-se obstáculos na doação de órgãos,fato que causa sofrimento e a morte de milhares de pessoas todos os anos no Brasil,opondo-se ao pensamento de Mill.Nesse contexto,deve-se analisar como o individualismo e a negligência governamental impulsionam tal problemática.
Em primeiro lugar,o individualismo é característica da sociedade pós-moderna.Consoante aos conceitos do sociólogo Zygmunt Bauman,a fluidez e a fragilidade das relações sociais corroboram para a manutenção da aversão à doação de órgãos.Tal fato ocorre devido a desinformação acerca das regras,do protocolo e das formas de transplantes.Além disso,por enfrentar preceitos éticos a falta de comunicação entre possíveis doadores e suas famílias,gera repulsa e,posteriormente,a não autorização.Desse modo,a falta de empatia com o próximo devido a uma sociedade cada vez mais individualista,favorece o aumento das filas de espera por transplantes.
Outrossim,a falta de recursos e infraestrutura adequada reflete a ineficácia do Estado no que tange à doação de órgãos.Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos,o Brasil aumentou o número de doadores,no entanto,não conseguiu atingir a meta proposta.Isso porque,a centralização dos centros de transplantes pelo território brasileira ocorre de maneira desigual,na qual ocasiona barreiras na coleta e no transporte dos órgãos.A falta de logística do translado devido as longas distâncias e o curto período que o órgão sobrevivi sem circulação sanguínea é responsável pela metade das perdas dos potenciais doadores.Consequentemente,o número de mortes de indivíduos que necessitam de transplantes aumentam gradualmente.
Infere-se,portanto,que medidas são necessárias para incentivar a sociedade civil à doação de órgãos e,assim,cumprir a meta proposta pela ABTO. Logo,cabe ao Ministério da Educação,em parceria com as instituições de ensino,por intermédio de especialistas da área da saúde,a abordagem do tema em sala de aula,com vistas a desconstruir os mitos e as aversões em relação ao transplante de órgãos,a fim de incentivar a empatia e o altruísmo desde à tenra idade.Ademais,o Poder Público,por meio do Ministério da Saúde,deve investir em centros especializados em transplantes nas regiões mais isoladas,com o fito de evitar perda de doadores potenciais devido à logística.