Desastre em Brumadinho e a gravidade da reincidência dos crimes ambientais
Enviada em 03/06/2020
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a vida social moderna tem como centro o individualismo, quando interesses próprios são mais valorizados que os do coletivo. Tal visão é evidenciada quando se analisa o crime ambiental que ocorreu em Brumadinho, município de Minas Gerais. Nesse Sentido, dada a recorrência de casos como esse, é vital analisar seus impactos no social e propor soluções aos entraves.
Primeiramente, a reincidência desses eventos, mediada pela ineficiência da administração pública, provocará novas irregularidades. Prova disso são os desastres, durante 2015 e 2019, em Minas Gerais, os quais envolveram a mesma empresa, que foi levemente punida pelo governo, e a mesma causa: barragens ineficientes de rejeitos de mineração, que eram conhecimento do Ministério Público. Portanto, depreende-se que haverá uma banalização do social e ambiental, caso instituições de exploração de recursos naturais não sejam responsabilizadas por irregularidades.
Além disso, outras populações, longe de seu epicentro, podem sofrer com os impactos ambientais dessas ações irresponsáveis. Como exemplo, os metais pesados liberados da atividade mineradora podem ser absorvidos pela fauna e flora, afetando a economia pesqueira e a saúde da população. Outrossim, a destruição de construções históricas, como no caso de Mariana impedirá uma devida preservação cultural, prevista no artigo 23 da constituição federal. Por isso, há problemas a serem analisados e motivados para além dos mais tangíveis.
Nesse sentido, medidas são necessárias para impedir que crimes ambientais, como em Brumadinho, continuem ocorrendo. Nessa lógica, é dever do Poder Legislativo, em união a ONGs ambientalistas, estabelecer diretrizes mais rígidas de atividades das empresas que trabalham com recursos naturais, por meio de leis que exijam a fiscalização dos relatórios de infraestruturas e a instalação de câmeras p.ara a monitoração de possíveis falhas. Por fim, visa-se atingir um meio social no qual o coletivo seja mais valorizado.