Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 28/03/2021

O movimento do parto humanizado baseia-se no bem-estar da mãe e de seu filho durante o nascimento da criança, utilizando-se da intervenção médica apenas quando necessária. Entretanto, no Brasil, verificam–se baixos índices em relação à aplicação desses princípios. Isso porque desafios como: o desconhecimento popular sobre as possibilidades de humanização do parto, além da oposição exercida por entidades médicas tradicionalistas, impedem a difusão da prática. Logo, medidas são indispensáveis para se debelar os impasses e ampliar, consequentemente, o movimento no país. Em primeira análise, aponta-se a falta de divulgação sobre o funcionamento do parto humanizado como ponto nevrálgico do entrave. Conforme a antropóloga americana Robbie Davis-Floyd, a base dessa forma de atendimento consiste em atender às escolhas da mãe e garantir que ela reúna diferentes opções. De modo similar, a obstetriz Cristina Balzano, em sua obra “O parto é da mulher”, expõe que o fator determinante para que a parturiente vivencie a experiência da melhor maneira possível é a informação. Porém, na nação brasileira, predominam nos sistemas de saúde o parto medicalizado - modelo protocolado e majoritariamente indicado nos hospitais -, e as altas taxas de nascimentos por via cirúrgica - cerca de 55% de acordo com o Ministério da Saúde. Destarte, evidencia-se a urgência em expandir as informações sobre o parto humanizado, visando proporcionar diversificados meios de atender as necessidades individuais de cada gestante conforme suas escolhas. Outrossim, destaca-se a carência de incentivos sobre a humanização do parto por parte das entidades médicas tradicionalistas como desafio para a promover o movimento. Em conformidade com o documentário brasileiro “O Renascimento do Parto”, fatores socioeconômicos contribuem para a manutenção do cenário, como exemplos a produção aborda o interesse dos profissionais em realizar cirurgias cesarianas visando receber maiores remunerações e em um menor intervalo de tempo, além do reflexo do machismo intrínseco na comunidade que, frequentemente, manifesta-se em uma relação na qual o médico torna-se protagonista do processo, ao desprezar as mães. Assim, conclui-se fundamental a mobilização do tecido social para alterar a conjuntura vigente. Infere-se, portanto, a complexidade dos desafios para promover o parto humanizado no Brasil. Sob este viés, com a finalidade de priorizar o bem-estar da mãe e do filho, precisa-se que a sociedade civil organizada, por meio de campanhas, manifestações, debates e denúncias, pressione os órgãos e conselhos relacionados à saúde sobre a garantia dos direitos das mulheres como protagonistas em seus partos -como também para atualização e adequação das abordagens médicas no país. Ademais, a mídia, como força social, deve contribuir para a difusão de informações, e para a popularização dos conceitos do parto humanizado. Dessa maneira, após a adoção das medidas propostas, poder-se-á minimizar, a médio e longo prazo, os desafios que impedem a promoção do movimento.