Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 25/03/2021
Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
É difícil fugir dos clichês ao falar sobre o momento do parto. É provavelmente o momento mais intenso da vida humana, para a mãe e para a criança. No entanto, falta informação acessível às mulheres para que possam se preparar adequadamente para o parto. Isso faz com que a maioria delas escolha a opção vista como a mais “segura”, a cirurgia cesariana, com data e horário marcados na maternidade ou hospital.
O retorno ao parto normal e à humanização do parto é um processo que vem ganhando força, embora apresente limitações. Apesar de não haver uma estatística oficial, estima-se que sejam realizados 40 mil partos domiciliares por ano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza o parto humanizado como um elemento importante para a promoção da saúde. Elas contribuem para a redução da mortalidade materna e neonatal, da violência obstétrica e das vergonhosas taxas de cesarianas brasileiras. A mulher tem autonomia para decidir como quer parir. Ela escolhe a melhor posição e tem apoio para se movimentar, comer, beber, tomar banho. Pode reduzir a luminosidade do ambiente, ouvir músicas e contar com o suporte do pai da criança ou de outras pessoas, como a doula (mulher que presta o serviço de assistência à parturiente). 4 O trabalho dos envolvidos é no sentido de garantir que ela esteja em um ambiente seguro, acolhedor e tranquilo. Humanizar, no trabalho médico, também é respeitar a individualidade do paciente. Como define a própria OMS, saúde não é apenas ausência de doenças, mas bem estar físico e psicológico. Desde 2011 a Rede Cegonha, um projeto do Ministério da Saúde estendido aos Estados e municípios do país, promove a conscientização do atendimento humanizado. Em Santa Catarina, o trabalho começou em 2012 e tem como principal objetivo garantir o acesso de qualidade e atenção ao parto e nascimento com início já no pré-natal, considerado o alicerce todo processo, além do acompanhamento pós-parto nos postos de saúde. Muitas mulheres relatam que não tiveram boas experiências no parto hospitalar, especialmente na primeira gravidez. No segundo filho, já com mais experiência e informação, é mais fácil planejar o parto de acordo com suas vontades e preferências. Esta é a história de Karen Pimenta, mãe da Amora e da Clarice. No vídeo abaixo ela conta como foi o parto de suas duas filhas.