Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 15/01/2021

É notória a necessidade de se ir de encontro com a questão da saúde da mulher. Essa controvérsia torna-se mais relevante quando se expõe o parto humanizado.Com o advento da Constituição de 1988, o artigo 6º garantiu de forma legislativa o direito de todos os cidadãos brasileiros à saúde de qualidade.Desse modo, é dever do Estado promover a melhores condições para as mães que tem o propósito de dar a vida para as futuras gerações de brasileiros.No entanto,combater a mercantilização da medicina e a violência obstétrica são desafios ao Governo é a sociedade para a plena adaptação de todos ao “bem-coletivo” – como foi proposto no contrato social de Rousseau.

A priori,essa problemática de caráter histórico remonta aos anos 60, onde os partos eram realizados em casa e de forma natural.Dessa forma,com o avanço das técnicas médicas,esses processos passaram a ser constantemente realizados em hospitais e cobrado preços altos em cirurgias que na maioria das vezes são desnecessárias.Tal problema pode ser ratificado,por exemplo,nos dados reunidos pelo site Tão Feminino em 2017.Nesse episódio,56% dos bebes nascem por cesárias, entretanto,o aconselhado pela Organização das Nações Unidas é de 15% do total dos casos.Sendo assim,as mulheres são coagidas a realizarem procedimentos desnecessários em detrimento do dinheiro que hospitais e médicos ganham para realizar tais cirurgias.

Somada a isso,a aplicação de ocitocina artificial e os cortes realizados na região do períneo feminino muitas vezes é realizado para apressar o parto.Por essa razão,um processo que duraria em média 12 horas é realizado em menos tempo a partir de imposições de médicos que não respeitam a saúde da mulher.Tal fato pode ser exemplificado,com a teoria da Violência Simbólica do sociólogo Pierre Bourdieu,no qual,esse dano se manifesta por meio da agressão verbal e procedimentos arriscados para adiantar o nascimento do bebê.Diante de tal discussão,a violência obstétrica impede a realização de um parto tranquilo e humanizado.

Torna-se evidente, portanto, que a questão da luta pelo parto natural e humanizado exige medidas concretas.É imperiosa, nesse sentido, uma postura ativa do Ministério da Saúde (MS) em relação à melhoria do ambiente que é realizado o nascimento dos bebes por meio da ampliação de casas de parto natural. Porém, uma transformação completa deve passar pelo Ministério da Educação,que em conjunto com o MS pode realizar a inserção da disciplina de saúde pública e da mulher no ensino médio,para que os futuros profissionais da saúde e pais entendam a necessidade da preservação de um parto saudável.Isso seria viável com maiores investimentos na educação, assim, as mulheres  podem reivindicar seus direitos. Dessa forma, será possível construir um país mais consciente.