Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 06/01/2021

Na antiguidade o parto humanizado era o único conhecido, afinal os recursos e as descobertas sobre o corpo humano eram limitadas. No entanto, com a chegada da Revolução Tecnológica e a presença da mecanização  as condições foram alteradas. Todavia, a humanização não é algo que pode ser comprado, uma vez que envolve um contexto histórico e sentimental particular e enraizado. Porém, infelizmente, no Brasil, devido a sua estrutura precária, ocorre a promoção da falta de conhecimento, bem como uma preocupação primária com o âmbito financeiro, ao invés do social.

A priori, é oportuno frisar que esse quadro de desrespeito para com os princípios democráticos estão correlacionados, principalmente, com a ausência de informações adequadas para as parturientes. Nesse contexto, em paralelo com o pensamento kantiano, convém ressaltar que para ele o conhecimento é fabricado. Entretanto, para os brasileiros é um cenário distante, posto que os profissionais que deveriam disseminar as informações estimulam o que é de interesse próprio. Sob tal ótica, segundo a pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina, apenas 45% dos partos não é cesária no Brasil, quando o recomendado pela Organização Mundial da Saúde são 15%, porcentagem na qual é destinada para gravidez com risco para a mãe ou filho. Além disso, na mesma investigação foi concluído que, inicialmente somente 30% deseja parto cirúrgico, mas ao decorrer das consultas existem um desencorajamento, influenciado pelos médicos, que leva a 80% das mulheres a mudar de ideia e optar pela cesária. Em suma, é nítido como o desconhecimento dos cidadãos e a falta de ética dos parteiros provocam situações perigosas e desnecessárias.

A posteriori, vale salientar que o processo de ‘‘dar à luz’’ vai além de simplesmente parir para fins lucrativos ou um produto comercializável. Desse modo, em conjunto com a análise do antropólogo Frantz Fanon, que em seu estudo de psicopatologia afirmou que o sistema econômico capitalista promove as relações sociais baseadas como meio de recompensa. Sendo assim, interpretando o contexto do Brasil, onde, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar, mais da metade  das mulheres fazem cesária por considerar mais seguro. Ademais, os médicos recebem noventa e nove reais a mais para partos não naturais. Em síntese, é notório que eles priorizam esse tipo de sistema, pois, é o mais lucrativo e enquanto o dinheiro for prioridade essa condição não mudará.

Em face do exposto, é visível que o problema é complexo, mas existem maneiras de progredir. Logo, como diz Kant, o conhecimento deve ser fabricado e isso pode ser feito por meio de verbas destinadas às palestras. Esses encontros serão realizados pela OMS, com o intuito de sanar as dúvidas e apresente as alternativas de modo imparcial, com o objetivo de promover o parto humanizado.