Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 26/09/2020
Medo. Desconhecimento. Despreparo. Esses são conceitos que caracterizam a questão do parto humanizado no Brasil na atualidade. Nessa perspectiva, percebe-se que o país é negligente em relação ao fato, uma vez que, há anos, a humanidade no nascimento é um problema sem solução. Muitas são as causas que explicam a matéria, no entanto, destacam-se a deficiência de informação para as gestantes e a falta de investimento no preparo dos hospitais e da equipe médica.
É relevante abordar, primeiramente, que a insuficiência de divulgação dos benefícios do parto normal e humanizado é uma das razões pela qual o problema persiste. Nessa lógica, o filósofo, Karl Marx, teceu diversas críticas, em suas obras, sobre a atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Em se tratando de divulgar as vantagens de um nascimento mais humanizado, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, pois o Estado brasileiro não promove a conscientização social em nenhuma de suas instâncias, como a escola ou os meios de comunicação, ferindo, assim, a cidadania e as garantias constitucionais.
Igualmente, pode-se considerar o descuido governamental quanto ao investimento em treinamento profissional e material como obstáculo secundário ante a resolução do óbice. Nesse sentido, Aristóteles diz, em seu livro “Ética a Nicomaco”, que a política existe para garantir a felicidade dos cidadãos. Entretanto, é fácil perceber que, em relação à humanização do parto, essa disposição de Aristóteles não se consuma na realidade brasileira, uma vez que o Poder Público não cumpre seu papel legislativo, fazendo com que ocorram diversas lacunas no bem estar social. Desse modo, faz-se mister a reformulação de tal postura estatal irresponsável e negligente.
Por fim, medidas são necessárias para a resolução do cenário. O Ministério da Saúde, por meio de um projeto de bem estar social, deve criar uma campanha de incentivo e conscientização, que trabalhe paralelamente com ações governamentais, no sentido de impulsionar a prática do parto humanizado, com o esclarecimento de dúvidas da sociedade quanto à temática. Tal campanha deve ter repercussão nacional e representantes de todos os estados brasileiros, para que aconteçam maiores ações, projetos, planos, metas e investimentos públicos voltados para a qualificação da equipe médica e investimento em insumos próprios para as necessidades das gestantes e dos bebês. Dessa forma, medo, desconhecimento e despreparo não serão mais características da problemática.