Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 25/09/2020

Tradicionalmente, os partos eram realizados por mulheres conhecidas popularmente como parteiras, estas detinham de um saber empírico e assistiam as mulheres durante a gestação até a hora do nascimento. Ademais, todo o processo era realizado em domicílio por se acreditar que o parto sempre foi algo instintivo e natural, atualmente, tais atos seriam considerados como parte de um processo para a realização do parto humanizado. Todavia, com a chegada da Corte Portuguesa no Brasil, em 1808, ocorreu a implantação do ensino de medicina e por conseguinte uma mecanização e padronização do nascimento, ao introduzir um formato único que nos dias de hoje é o ato cirúrgico da cesárea.

Primeiramente, entende-se como parto humanizado o conjunto de práticas que buscam respeitar a fisiologia da mulher e devolver-lhe o protagonismo da concepção, que por vezes é lhe retirado pela hospitalização do nascimento. A humanização do parto é um processo em que a mulher e seus desejos são levados em conta, respeitando a singularidade de cada gestante. Em contrapartida, a cesariana segue um formato único e maquinal. O índice de cesarianas considerado aceitável pela Organização Mundial de Saúde ( OMS ) é de 15% , sendo que no Brasil 40% dos nascimentos são por cesárea , o procedimento que era pra ser utilizado em casos de emergência, passou a ser feito de forma rotineira e sem necessidade.

A realização do parto cirúrgico, traz consequências e problemas na saúde física e emocional da mãe, bem como, a depressão pós parto, estudos realizados na Universidade Nacional de Yang Ming , em Taiwan , mostram que a cada dez concepções cirúrgicas , sete desenvolvem depressão pós parto devido ao tempo de recuperação, uma vez que , a cesariana leva-se de dez a quinze dias para a reabilitação contra sete dias do parto normal. Tal problemática, pode ser explicada pela comodidade que a cesárea oferece aos médicos e ao hospital, tendo em vista que , uma  cesárea leva de quarenta e cinco minutos á uma hora e o parto normal de doze horas a vinte e quatro horas.

Em suma, a falta de informações ás mulheres prejudica na decisão de qual meio para a concepção. É mister que o Ministério da Cultura junto com o Ministério da Saúde promovam campanhas de alertamento sobre os problemas gerados pela cesárea e uma maior divulgação acerca do parto humanizado. Investimentos devem ser direcionados a hospitais públicos para uma melhora na infraestrutura e na capitação de médicos especializados no parto humanizado, além do oferecimento de tratamento pscológico para mães que obtiveram abalos por conta da cirurgia de cesárea. Para que assim, a palavra humanizado seja vivenciada na prática.