Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 24/09/2020
A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza o parto humanizado como elemento importante para a promoção da saúde, na qual contribui para a redução da mortalidade materna e neonatal, dentre outros. Entretanto, há inúmeras pessoas no Brasil que, devido a ausência de informação e a precária política de incentivo e assistência a esse tipo de parto, não compreendem a importância e as vantagens de tal ato. Nessa perspectiva, evidencia-se a necessidade de promover melhorias em tal cenário.
Cabe, a priori, ressaltar que uma alta parcela da população brasileira não conhece o parto humanizado. Isso porque as políticas nacionais e os veículos midiáticos não atuam intensamente na disseminação de informações acerca do assunto para despertar a curiosidade do público e, por conseguinte, atrair a maior quantidade de mulheres para essa prática mais saudável. Um bom exemplo de tal situação foi a pesquisa divulgada pelo ABCS - Arquivos Brasileiros de Ciência e da Saúde - na qual revelou que 69,5% das mulheres entrevistadas nunca ouviram falar sobre o mesmo. Dessa forma, nota-se que a expansão da informação deve ser imediata.
Outrossim, deve-se observar também que existe uma vasta escassez ao estímulo da execução dessa ação. Isso, pois, a maior parte das mulheres, mesmo conhecendo alguém que já passou pelo parto normal, possuem um enorme receio quanto a dor envolvida no processo, sendo assim, desencorajadas a parir de maneira natural e, consequentemente, encorajadas ao parto cesariano por ser mais cômodo e menos doloroso. Prova disso, foi a pesquisa publicada, coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz, na qual aponta que 70% das brasileiras desejam um parto normal no início da gestação, contudo, em razão da falta de apoio e fomento, 52% realizam cesária no setor público e 88% realizam no setor privado, de modo a contrariar a recomendação da OMS onde afirma que somente 15% dos partos devem ser realizados por meio desse procedimento cirúrgico.
Depreende-se, portanto, que a ampliação da relevância do parto humanizado carece ser rápida. Para tanto cabe à Secretaria Especial de Comunicações (SECOM) propagar o maior alcance aos prós desse ato mediante campanhas e propagandas a nível nacional com o propósito de instigar a população a se engajar por essa temática e aumentar a procura e a efetivação desse método. Ademais, incumbe às secretarias municipais em parceria com as estaduais promover a difusão de ações de acolhimento à gestantes por intermédio de criações e aumento de centro específicos - como espaços exclusivos em postos de saúde - a fim de amparar e apoiar aquelas que escolherem o parto natural desde o início e, assim, se aproximar cada vez mais da recomendação da Organização Mundial de Saúde.