Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 24/09/2020
Na obra de arte “O Grito”, produzida pelo pintor Edvard Munch, é retratado um momento de desespero e profunda angústia vivido pelo ser humano. Analogamente à obra, essa a realidade de muitas mães no momento do parto, uma vez que uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto, segundo uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo. Nesse âmbito, faz-se necessário analisar a carência de informações sobre o tema e a questão comportamental que ocasiona à desumanização do parto no Brasil.
Em primeiro plano, é essencial salientar que a falta de informações sobre a violência obstétrica é um fator determinante na problemática. Nessa perspectiva, no Brasil o percentual de cesárias é de 52%, enquanto o mundial é de apenas 15%, segundo a OMS. Dessa forma, as mulheres apresentam-se expostas a diversos casos de violência durante a cesárea como, o “ponto do marido”. Assim, evidencia-se a urgência de medidas para melhorar os índices de informação sobre o parto entre as mulheres.
Ademais, o padrão comportamental também atua como protagonista no cerne da temática. A esse respeito, o sociólogo francês, Pierre Bourdieu, em sua teoria sobre o “Habitus”, preconiza que a sociedade incorpora as estruturas sociais que são impostas a sua realidade. Seguindo essa linha de raciocínio, a cesariana é indicada pela medicina apenas quando há uma anormalidade na gravidez, no entanto, por ser um procedimento menos doloroso que o parto normal, as mulheres estão optando pela cesárea, e os médicos indicando por conta de lucrarem mais com o procedimento. Dessa forma, se esse hábito continuar sendo reproduzido, o cenário não poderá ser transformado.
Assim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a Mídia, criar projetos, por intermédios de propagandas na televisão e redes sociais, visando sensibilizar as gestantes sobre os perigos da violência obstétrica que ocasiona a desumanização do parto. Outrossim, compete também ao Ministério da Educação, em parceria com as Instituições escolares, destinar maiores investimentos para que possa ser feito debates acerca do tema no ensino médio e fundamental, com objetivo de ensinar as crianças sobre a desumanização do parto latente na sociedade e com esperança de transformar esse quadro.