Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 24/09/2020
Em 2005, o Brasil aprovou uma série de leis para a promoção de partos humanizados. A conquista foi fruto de intensa mobilização de movimentos sociais e organizações não governamentais, que consideravam assustador o número de mulheres vítimas de violência obstétrica. Contudo, a efetivação dos direitos das mulheres ainda encontra dois grandes obstáculos: muitas pacientes desconhecem as garantias que têm no trabalho de parto e a realização de partos naturais é pior remunerada que as cesarianas.
De início, vale ressaltar que, por ser um país de tradição judaico-cristã, ainda são enfrentados diversos empecilhos à implementação de condutas médicas menos violentas no ciclo reprodutivo feminino, pois as dores do parto são tidas como punições aos prazeres da carne. Segundo o New York Times, cerca de um quarto das mulheres relatam terem sido agredidas, física ou verbalmente, enquanto davam a luz no Brasil. Esses números tendem a ser maiores, já que muitas mulheres não denunciam esse tipo de violência, porque creem ser necessária ou merecidas.
Além disso, de acordo com o Conselho Federal de Medicina, cada cesariana é 15% mais bem remunerada que partos normais. Assim, muitos médicos convencem suas pacientes a submeterem-se a cesarianas, que são mais perigosas e têm tempo de recuperação maior, pois os partos naturais são mais demorados e implicam menor percepção de renda pelo obstetra. Fica evidente, portanto, que a grande quantidade de cirurgias desse tipo se deve ao interesse financeiro de médicos gananciosos. Logo, para que essa problemática seja minorada o Governo Federal deve, por meio de Lei, criar bonificações para médicos que realizem partos normais e humanizados, bem como melhor informar sobre a violência obstétrica. Para tanto, podem ser acrescidas ao pré-natal orientações, elaboradas por especialistas, sobre o tema e ser aumentada a remuneração por parto normais. Destarte, os índices dessa forma de violência diminuirão.