Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 24/09/2020

“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase, da filósofa Hannah Arentd, aponta para a importância de os direitos serem mantidos na sociedade. Entretanto, no que concerne à questão da necessidade do parto humanizado, no Brasil hodierno, percebe-se uma lacuna na manutenção desses direitos, uma vez que há inúmeros desafios para a garantia de um parto saudável. Sendo assim, é crucial entender que o impasse espelha não só a perpetuação de estereótipos sociais, como também a deturpação de leis já conquistadas.

Convém ressaltar, a princípio, que o principal desafio é o preconceito com partos naturais. Sob essa perspectiva, o sociólogo Durkheim defende que o fato social é a maneira coletiva de pensar. Nesse sentido, é possível perceber que os desafios para promover partos mais naturais são fortemente influenciados pelos pensamentos coletivos, uma vez que, se as mulheres crescem inseridas num contexto social no qual partos naturais são sempre associados a dor, a tendência é absorver esses pensamentos e, assim, optar por partos menos naturais, como a cessaria. Logo, se esses comportamentos continuarem, os nascimentos se reduzirão a procedimentos cirúrgicos e, portanto, a naturalidade se perderá.

Ademais, é importante ressaltar que  outro empecilho é a perda de direitos já conquistados. Sob esse viés, é válido lembrar que a elaboração da Constituição Federal de 1988 foi baseada no sonho de garantir saúde e bem-estar a todos os brasileiros. Entretanto, é notório que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor desses direitos, uma vez que o país ultrapassa o limite de cessarias proposta pela Organização Mundial da Saúde. Dessa forma, percebe-se não só um  irrespeito colossal com as gestantes que passa por cirurgia de alto risco sem reais necessidades, mas também a deturpação da Constituição do país.

Isso posto, com a finalidade de acabar com o estereotipo do parto natural e garantir a saúde perante a Constituição, urge que o Ministério da Saúde ,em parceria com as grandes mídias, faça campanhas informativas, por meio de canais de televisão e internet. Para tal, essas devem conter dados e a participação de médicos influentes na sociedade ,como o Dráuzio Varella, para que as poucos seja possível fazer as pessoas entenderem que o porto normal não está associado a dor, mas a um momento natural do ciclo da vida. Somente assim, a máxima de Hannah Arendt se concretizará.