Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 24/09/2020

O documentário “O Renascimento do Parto”, ilustra diversos relatos de mães que se sentiram pressionadas ao optarem a cesariana mesmo em condições de parto normal, por conta de padrões e estereótipos promovidos por muitos médicos e pela maioria da sociedade. Nessa perspectiva, a obra demonstra com nitidez, os desafios para promover o parto humanizado no Brasil, que não agrega apenas métodos, mas também preparo mental. Assim, percebe-se a consolidação de um grave problema em razão da falta de debate e do frágil apoio psicológico aos pais.

Inicialmente, a fraca discussão na sociedade a respeito das reais circunstâncias de cada  parto faz-se como um fator determinante para a persistência do sério panorama. De acordo com a OMS, no território brasileiro, a porcentagem de cesarianas duplica ou triplica a recomendada no país. Assim, nota-se que os procedimentos naturais são desprezados ao se comparar com o grande índice de processos cirúrgicos, isto, ocasionado na – maioria das vezes – pela ignorância e medo da mãe. Tudo isso, alimentado pelo silenciamento de competentes que ofuscam as vantagens do modo tradicional e determinam o clínico como o mais apropriado a quase todas as gestantes.

Em segundo plano, o ausente acompanhamento psicológico durante e após a gravidez favorece a complexidade da problemática. Conforme a escritora Simone Beauvoir, cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos. Nessa lógica, a empatia social e de profissionais – como psicólogos e assistentes sociais – auxilia grandemente na psicologia da mãe que, em meio a desorientação, se instabiliza emocionalmente antes e depois de dar a luz, a gerar muita insegurança durante a escolha e ocorrência do parto.

Portanto, torna-se necessária uma intervenção pontual ao transtorno. Logo, é viável que o Ministério da Saúde e Ministério da Cidadania, adotem por intermédio de uma segura plataforma digital, um aplicativo gratuito destinado às gestantes que promova verdadeiras informações sobre cada parto e seus pontos positivos e negativos, além disso, a permitir diálogos entre a grávida e psicólogo ou obstetra. Tal medida, com intuito de quebrar padrões que interferem na escolha do parto mais adequado e humanizado da mulher sem remeter medo e insegurança. Em suma, a fim de tornar essas situações menos padronizadas e desconfortáveis, como as relatadas no documentário.