Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 23/09/2020

Durante a Idade Média um dos maiores desafios enfrentados pela medicina eram os partos, por conta do risco de morte da gestante e do bebê. Contudo, com a evolução da obstetrícia, métodos de parto mais modernos e eficientes foram desenvolvidos, como o parto humanizado. Todavia, este ainda enfrenta desafios para se consolidar como uma opção viável para as lactantes brasileiras, por conta da cultura da cesariana e da falta de acessibilidade e informação.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a cultura da cesariana está enraizada na sociedade brasileira. Dessa maneira, segundo a UNICEF, o Brasil é o país que mais realiza cesarianas no mundo, pois esse procedimento é visto como mais seguro pelas brasileiras e incentivado pelos médicos. Entretanto, o Ministério da Saúde adverte que uma cesárea desnecessária pode trazer maiores riscos à mãe e ao bebê, como infecções ou hemorragias. Desse modo, nota-se que a ideia do procedimento ser mais seguro que outros métodos alternativos, como o parto normal ou o parto humanizado, é meramente cultural e precisa ser descontruída. Assim, o parto humanizado traz uma solução viável para tornar o parto mais acolhedor e seguro, o que evitaria problemas como a violência obstétrica, mas enfrenta dificuldades em ser aceito pelos médicos e gestantes.

Ademais, a falta de informação e acessibilidade também são desafios enfrentados para o aumento dos partos humanizados. Sendo assim, apesar do Sistema Único de Saúde (SUS) oferecer a opção do parto humanizado desde o ano de 2015, esse ainda não é uma realidade para as gestantes brasileiras, visto que muitas não são informadas da possibilidade de humanização do parto. Além disso, muitas maternidades da rede pública de saúde não possuem a estrutura necessária para a realização do parto humanizado, o que deixa a lactante sem opção. Portanto, atualmente, existem muitos outros métodos de realização de partos do que no período da Idade Média, mesmo assim, muitas mulheres grávidas permanecem expostas à riscos e sem direito de escolha, pois á elas ou é negado o direito de escolher o parto humanizado ou este é inacessível no sistema de saúde público.

Em suma, urge a necessidade do Ministério da Saúde promover campanhas de esclarecimento para as gestantes brasileiras, em horários nobres da televisão e em anúncios e cartazes pelos hospitais públicos e maternidades,  informando os benefícios e malefícios de cada tipo de parto, para assim combater a desinformação sobre o parto humanizado e desconstruir a cultura da cesárea como única escolha. Além disso, cabe ao Poder Público Brasileiro investir na infraestrutura dos hospitais e maternidades, para tornar o parto humanizado acessível para todas as gestantes que optarem por realiza-lo.